3.º Ciclo

Aprendizagens Essenciais de Português

9.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

As Aprendizagens Essenciais de Português do 9.º ano (3.º Ciclo do Ensino Básico) concluem o percurso do ensino básico, elevando ao máximo o nível de exigência em todos os domínios — Oralidade, Leitura, Educação Literária, Escrita e Gramática — e orientando o trabalho para propósitos comunicativos como expor, explicar e argumentar em situações de debate de pontos de vista. No domínio da Oralidade, os alunos analisam a organização de textos orais em géneros como o diálogo argumentativo, a exposição e o debate, avaliam argumentos quanto à validade e à força argumentativa, intervêm em debates com contributos sistematizados e avaliam discursos em grupo com critérios definidos. No domínio da Leitura, leem textos de divulgação científica, recensões críticas e comentários, expressam apreciações críticas fundamentadas e utilizam os métodos do trabalho científico. No domínio da Educação Literária — o mais exigente e central do 9.º ano — leem e interpretam Os Lusíadas de Luís de Camões (episódios dos sete cantos), um auto de Gil Vicente (Auto da Índia ou Auto da Barca do Inferno), narrativas de Pero Vaz de Caminha, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e Vergílio Ferreira, crónicas de Maria Judite de Carvalho e António Lobo Antunes, e poemas de Fernando Pessoa (Mensagem), Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena, Camilo Pessanha e muitos outros. Os recursos expressivos centrais são a perífrase, o eufemismo e a ironia. No domínio da Escrita, produzem textos argumentativos (comentário, crítica, artigo de opinião), resumos para finalidades diversificadas, e respeitam normas específicas para a explicitação de bibliografia. No domínio da Gramática, sistematizam os processos fonológicos de inserção, supressão e alteração de segmentos, estudam arcaísmos, neologismos e variação diacrónica, analisam frases simples e complexas em todos os seus constituintes, reconhecem os valores aspetuais imperfetivo e perfetivo e os valores modais (epistémicos, deônticos e apreciativos), e desenvolvem formas linguísticas adequadas à expressão de discordância com respeito pelo princípio da cooperação.

Conteúdos e temas

Oralidade

  • Compreensão oral
    • Analisar a organização de um texto oral tendo em conta o género (diálogo argumentativo, exposição e debate) e o objetivo comunicativo
    • Avaliar argumentos quanto à validade, à força argumentativa e à adequação aos objetivos comunicativos
  • Expressão oral
    • Fazer exposições orais para apresentação de temas, ideias, opiniões e apreciações críticas
    • Intervir em debates com sistematização de informação e contributos pertinentes
    • Argumentar para defender e/ou refutar posições, conclusões ou propostas, em situações de debate de diversos pontos de vista
    • Estabelecer contacto visual e ampliar o efeito do discurso através de elementos verbais e não verbais
    • Avaliar discursos orais com base em critérios definidos em grupo

Leitura

  • Géneros textuais e competências de leitura
    • Ler em suportes variados textos dos géneros: textos de divulgação científica, recensão crítica e comentário
    • Realizar leitura em voz alta, silenciosa e autónoma, não contínua e de pesquisa
    • Explicitar o sentido global de um texto
    • Identificar temas, ideias principais, pontos de vista, causas e efeitos, factos e opiniões
    • Reconhecer a forma como o texto está estruturado (diferentes partes e subpartes)
    • Compreender a utilização de recursos expressivos para a construção de sentido do texto
    • Expressar, de forma fundamentada, pontos de vista e apreciações críticas motivadas pelos textos lidos
    • Utilizar métodos do trabalho científico no registo e tratamento da informação

Educação Literária

  • Leitura e interpretação de obras literárias portuguesas
    • Ler e interpretar Os Lusíadas de Luís de Camões (episódios dos Cantos I, III, IV, V, VI, IX e X)
    • Ler um auto de Gil Vicente (Auto da Índia ou Auto da Barca do Inferno)
    • Ler integralmente uma narrativa e nove poemas de oito autores
    • Relacionar os elementos constitutivos do género literário com a construção do sentido da obra
    • Identificar e reconhecer o valor dos recursos expressivos: perífrase, eufemismo e ironia
    • Reconhecer os valores culturais, éticos, estéticos, políticos e religiosos manifestados nos textos
    • Debater, de forma fundamentada e sustentada, pontos de vista suscitados pelos textos lidos
    • Desenvolver um projeto de leitura que implique reflexão sobre o percurso individual enquanto leitor (em contrato de leitura com o professor)
  • Obras do 9.º ano
    • Epopeia: Luís de Camões — Os Lusíadas (Cantos I, III, IV, V, VI, IX, X)
    • Teatro: Gil Vicente (Auto da Índia ou Auto da Barca do Inferno)
    • Narrativas portuguesas: Pero Vaz de Caminha (Carta a El-Rei D. Manuel), Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco ('Maria Moisés'), Vergílio Ferreira ('A galinha' ou 'A palavra mágica')
    • Crónicas: Maria Judite de Carvalho (Este Tempo), António Lobo Antunes (Livro de Crónicas)
    • PALOP: Machado de Assis ('O alienista' ou 'História comum'), Clarice Lispector ('Felicidade clandestina')
    • Autores estrangeiros: Oscar Wilde ('O Fantasma de Canterville'), García Márquez, John Steinbeck (A Pérola)
    • Literatura juvenil: Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (adapt. Aquilino Ribeiro), José Gomes Ferreira (Aventuras de João sem Medo), Meu Pé de Laranja Lima
    • Poetas: Camilo Pessanha, Fernando Pessoa (Mensagem: 'O Mostrengo', 'Mar português'; Obra Poética: 'Ó sino da minha aldeia', 'O menino da sua mãe'), Mário de Sá-Carneiro, Irene Lisboa, Almada Negreiros, José Gomes Ferreira, Jorge de Sena, Sophia de M. Breyner Andresen, Carlos de Oliveira, Ruy Belo, Herberto Helder, Gastão Cruz, Nuno Júdice, Federico García Lorca, Carlos Drummond de Andrade

Escrita

  • Produção escrita
    • Elaborar textos de natureza argumentativa: comentário, crítica e artigo de opinião
    • Elaborar resumos para finalidades diversificadas
    • Planificar, com recurso a diversas ferramentas (TI e Web), incorporando seleção de informação e estruturação do texto de acordo com o género e a finalidade
    • Utilizar diversas estratégias e ferramentas informáticas na produção, revisão, aperfeiçoamento e edição de texto
    • Redigir textos coesos e coerentes, com progressão temática e com investimento retórico para gerar originalidade e obter efeitos estéticos e pragmáticos
    • Escrever com correção ortográfica e sintática, com vocabulário diversificado e uso correto dos sinais de pontuação
    • Reformular o texto de forma adequada, mobilizando os conhecimentos de revisão de texto
    • Respeitar princípios do trabalho intelectual como explicitação da bibliografia consultada de acordo com normas específicas

Gramática

  • Fonologia, léxico e variação
    • Identificar processos fonológicos de inserção (prótese, epêntese e paragoge), supressão (aférese, síncope e apócope) e alteração de segmentos (redução vocálica, assimilação, dissimilação, metátese)
    • Identificar arcaísmos e neologismos
    • Reconhecer traços da variação da língua portuguesa de natureza diacrónica
  • Sintaxe, semântica e modalidade
    • Utilizar apropriadamente os tempos verbais na construção de frases complexas e de textos
    • Analisar frases simples e complexas para identificação de constituintes, identificação de funções sintáticas e divisão e classificação de orações
    • Reconhecer os contextos obrigatórios de próclise e de mesóclise
    • Distinguir frases com valor aspetual imperfetivo e com valor aspetual perfetivo
    • Explicar relações semânticas entre palavras
    • Usar de modo intencional diferentes valores modais atendendo à situação comunicativa (epistémicos, deônticos e apreciativos)
    • Utilizar, com confiança, formas linguísticas adequadas à expressão de discordância com respeito pelo princípio da cooperação

Competências transversais

Comunicador: exposições orais com apreciações críticas; intervenção em debates com sistematização e contributos pertinentes; argumentação para defender e refutar posições; avaliação de discursos em grupo; planificação e divulgação de textos escritos; Conhecedor/sabedor/culto/informado: análise da organização de textos orais (diálogo argumentativo, exposição, debate); reconhecimento de valores culturais, éticos, estéticos, políticos e religiosos nos textos; conhecimento da obra camoniana (Os Lusíadas) e vicentina (teatro); processos fonológicos, arcaísmos, neologismos e variação diacrónica; Sistematizador/Organizador: manipulação de unidades de sentido; elaboração de projetos de estudo com mapas de ideias e esquemas; planificação com ferramentas informáticas e Web; progressão temática, coerência e coesão; métodos do trabalho científico; Respeitador da diferença/do outro: avaliação de discursos com base em critérios definidos em grupo; formas linguísticas adequadas à expressão de discordância com respeito pelo princípio da cooperação; Participativo/colaborador: intervenção em debates; produção de textos em grupo; percursos pedagógico-didáticos interdisciplinares com todas as disciplinas do 3.º ciclo; Indagador/Investigador: elaboração de projetos de estudo com pesquisa (inter)disciplinar; análise do modo como temas e valores são representados nas obras; utilização de métodos do trabalho científico; Criativo: investimento retórico para gerar originalidade e obter efeitos estéticos e pragmáticos; projeto pessoal de leitura com apresentação em público; recriação de textos; Responsável/autónomo: explicitação da bibliografia consultada de acordo com normas específicas; reformulação de textos mobilizando conhecimentos de revisão; reflexão sobre o percurso individual enquanto leitor; auto e heteroavaliação; Crítico/Analítico: avaliação de argumentos quanto à validade, força argumentativa e adequação; debate fundamentado de pontos de vista; apreciação crítica fundamentada de textos; reconhecimento dos recursos expressivos perífrase, eufemismo e ironia; Questionador: colocação de questões acerca da língua e do seu funcionamento; formulação de questões a partir de elementos paratextuais e textuais; distinção entre factos e opiniões, argumentos e conclusões; Leitor: ler e interpretar Os Lusíadas de Camões, um auto de Gil Vicente, narrativas, crónicas e nove poemas de oito autores; diferentes tipos de leitura; projeto de leitura com contrato; apresentação em público do percurso de leitor

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de Português — 9.º Ano (3.º Ciclo do Ensino Básico), Julho de 2018 — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se aprende em Português no 9.º ano?
O Português do 9.º ano conclui o ensino básico com o nível mais elevado de exigência. Na Oralidade, os alunos intervêm em debates, avaliam a força argumentativa dos argumentos e avaliam discursos em grupo. Na Leitura, trabalham textos de divulgação científica, recensões críticas e comentários. Na Educação Literária, leem Os Lusíadas de Camões, um auto de Gil Vicente, narrativas de Eça de Queirós, Camilo e Vergílio Ferreira, crónicas de António Lobo Antunes e poemas de Fernando Pessoa, Sophia, Jorge de Sena e outros. Na Escrita, produzem comentários, críticas, artigos de opinião e resumos. Na Gramática, estudam processos fonológicos, arcaísmos, neologismos, valores modais e aspeto verbal.
O que são Os Lusíadas e como são estudados no 9.º ano?
Os Lusíadas são a epopeia de Luís de Camões, publicada em 1572, que narra a viagem de Vasco da Gama à Índia e celebra a história e os heróis de Portugal. No 9.º ano, os alunos leem episódios de sete cantos: Canto I (estâncias 1-3, 19-41 — proposição, invocação e dedicatória), Canto III (est. 118-135 — Inês de Castro), Canto IV (est. 84-93 — discurso do Velho do Restelo), Canto V (est. 37-60 — Adamastor), Canto VI (est. 70-94 — tempestade e Vénus), Canto IX (est. 18-29 — Ilha dos Amores) e Canto X (est. 142-156 — Tétis e epílogo).
Que recursos expressivos se estudam no 9.º ano de Português?
No 9.º ano estudam-se três recursos expressivos finais: a perífrase (expressão indireta de uma ideia através de várias palavras em vez de uma só, como 'o astro rei' por 'o Sol'), o eufemismo (substituição de uma expressão direta e dura por outra mais suave, como 'partir desta vida' por 'morrer') e a ironia (expressão do contrário do que se diz, com intenção crítica ou humorística). Estes completam o inventário dos anos anteriores e são especialmente relevantes para a leitura de Gil Vicente e de Camões.
O que é a recensão crítica estudada no 9.º ano de Português?
A recensão crítica é um género textual que apresenta, analisa e avalia criticamente uma obra (literária, científica, musical, cinematográfica, etc.), expressando uma opinião fundamentada. No 9.º ano, os alunos leem recensões críticas e depois produzem textos argumentativos semelhantes (comentários, críticas, artigos de opinião). Este género é o mais exigente do percurso do ensino básico e prepara os alunos para o trabalho académico do ensino secundário.
O que são os processos fonológicos estudados no 9.º ano de Português?
Os processos fonológicos são as alterações que os sons sofrem ao longo da história da língua. No 9.º ano, estudam-se três grupos: processos de inserção (prótese — adição de som no início; epêntese — adição no interior; paragoge — adição no final), processos de supressão (aférese — supressão no início; síncope — supressão no interior; apócope — supressão no final) e processos de alteração de segmentos (redução vocálica, assimilação, dissimilação e metátese). Este estudo articula-se com o reconhecimento de arcaísmos e neologismos e com a variação diacrónica da língua, relevante para a leitura de textos medievais e do português quinhentista de Camões.
Qual a diferença entre Português no 8.º e no 9.º ano?
O 9.º ano eleva o nível em todos os domínios. Na oralidade, surge o debate formal com avaliação da força argumentativa e avaliação de discursos em grupo. Na leitura, surgem a divulgação científica e a recensão crítica. Na educação literária, surge o estudo obrigatório de Os Lusíadas e de Gil Vicente — obras do cânone literário português — e os recursos expressivos perífrase, eufemismo e ironia. Na escrita, surge o investimento retórico para gerar originalidade e efeitos estéticos, e a explicitação de bibliografia com normas específicas. Na gramática, surgem os processos fonológicos, a variação diacrónica, os valores modais (epistémicos, deônticos e apreciativos), o aspeto verbal (imperfetivo e perfetivo) e as formas de expressão de discordância com respeito pelo princípio da cooperação.
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