Ensino Secundário

Aprendizagens Essenciais de Matemática Aplicada às Ciências Sociais

11.o Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

No 11.o ano, MACS (Matemática Aplicada às Ciências Sociais) — a disciplina de Matemática do Curso de Línguas e Humanidades — aprofunda o estudo de modelos matemáticos que descrevem e analisam a realidade. Em Modelos de Grafos e Populacionais, os alunos estudam a teoria dos grafos (vértices, arestas, ordem, grau, caminhos e circuitos), os grafos de Euler (Teorema de Euler, caminhos eulerianos, pontes de Königsberg) e os grafos de Hamilton (problema do caixeiro viajante, algoritmos e otimização), bem como os modelos populacionais, comparando os crescimentos linear, exponencial, logarítmico e logístico e ajustando-os a dados reais por regressão (ex.: Pordata). Em Probabilidade, partem do fenómeno aleatório (espaço de resultados e acontecimentos) para a probabilidade frequencista e a regra de Laplace, a probabilidade condicionada (regra do produto, árvores, tabelas de contingência, independência), os modelos de probabilidade em espaços finitos (variáveis aleatórias discretas, função massa de probabilidade, valor médio µ e desvio padrão σ) e o modelo Normal. Em Introdução à Inferência Estatística, estudam o raciocínio indutivo (parâmetro vs. estatística, estimador e estimativa), a distribuição de amostragem da média e o Teorema Limite Central, e constroem intervalos de confiança para o valor médio (95%, 90% e 99%) e para a proporção, com margem de erro. O trabalho de projeto e o recurso à tecnologia (folha de cálculo, GeoGebra e Python) atravessam toda a disciplina.

Conteúdos e temas

Modelos de Grafos e Populacionais

  • Introdução aos grafos
    • Modelar problemas de logística: identificar o essencial de uma situação e desenhar esquemas (pontos e linhas) apropriados
    • Noções básicas: vértice, aresta, laço, vértice isolado e vértices adjacentes de um grafo
    • Ordem de um grafo e grau de um vértice
    • Identificar caminho e circuito num grafo
    • Interpretar e modelar situações reais das comunidades locais, apresentando propostas de melhoria
  • Grafos de Euler
    • Condições para um grafo admitir um circuito de Euler
    • Conhecer e aplicar o Teorema de Euler
    • Condições para um grafo admitir um caminho euleriano
    • Reconhecer as condições para eulerizar um grafo
    • Problema histórico das pontes de Königsberg e a sua relevância na teoria dos grafos
    • Aplicações: sistemas de distribuição, carteiros, patrulhamento, recolha de lixo e limpeza de ruas
  • Grafos de Hamilton
    • Definir e caracterizar um circuito de Hamilton e identificar as condições de existência
    • Procurar esquemas combinatórios (árvores) para calcular pesos totais dos caminhos possíveis
    • Encontrar algoritmos: decisões passo a passo para obter soluções
    • Distinguir soluções ótimas de soluções aceitáveis; discutir a sua viabilidade económica
    • Problema do caixeiro viajante: visitar todos os vértices sem repetições, com partida e chegada no mesmo ponto
    • Otimização de recursos: menor número de quilómetros, menor consumo de combustível, menos poluição, mais lucro ou preços mais baixos
  • Modelos populacionais
    • Familiarização com a diversidade de modelos de crescimento populacional: linear, exponencial, logarítmico e logístico
    • Modelação de fenómenos relevantes em contextos variados para formular previsões e apoiar decisões (população mundial, acesso à Internet, carros elétricos)
  • Crescimentos linear, exponencial, logarítmico e logístico
    • Comparar os crescimentos linear, exponencial, logarítmico e logístico
    • Selecionar o modelo adequado a um fenómeno, considerando os dados disponíveis e a variação previsível em função do tempo
    • Compreender as limitações da adequação dos modelos teóricos a situações reais
    • Ajustar modelos por regressão estatística a séries temporais de dados (ex.: Pordata)
    • Comparar a modelação da mesma situação por modelos diferentes, explicitando vantagens de cada opção
    • Exemplos históricos (teoria malthusiana) e contextos económicos (variação de preços, taxa de inflação)
    • Explorar modelos discretos e a representação gráfica para identificar valores concretos (resolução gráfica ou numérica)
    • Aprofundamento: modelo de Gompertz; visualização com GeoGebra
  • Trabalho de projeto (grafos ou populacionais)
    • Aplicar e aprofundar conceitos e processos de modelos de grafos ou populacionais num problema contextualizado
    • Desenvolver hábitos de pesquisa e interpretar criticamente informação, modelos e processos
    • Fases do projeto: formulação do problema, planificação, pesquisa, recolha de dados, análise, interpretação e conclusões
    • Exemplos: colorir um mapa com o número cromático; problemas de distribuição; interações entre personagens de uma obra literária; evolução de uma população local
    • Divulgação em grupo através de palestras, pósteres, vídeos ou outros suportes

Probabilidade

  • Fenómeno aleatório
    • Distinguir fenómeno aleatório de fenómeno não aleatório (determinístico)
    • Compreender a regularidade estatística numa longa série de repetições e o papel da Teoria da Probabilidade na sua modelação
    • Experiência aleatória; espaço de resultados (espaço amostral) S; acontecimento como subconjunto de S; resultados favoráveis
    • Modelo de probabilidade: resultados possíveis e probabilidade atribuída a cada resultado
    • Recordar: acontecimento certo, impossível, elementar e composto; disjuntos/mutuamente exclusivos; contrários/complementares; união e interseção
  • Probabilidade
    • Probabilidade frequencista: P(A) como valor para o qual estabiliza a frequência relativa num grande número de repetições
    • As probabilidades dos acontecimentos elementares são números entre 0 e 1 e a sua soma é 1
    • A probabilidade de um acontecimento é a soma das probabilidades dos acontecimentos elementares que o compõem
    • Probabilidade da união: P(A∪B) = P(A) + P(B) − P(A∩B), com recurso a diagramas de Venn
    • Acontecimentos equiprováveis e regra de Laplace: P(A) = nº de casos favoráveis / nº de casos possíveis
    • Reconhecer situações reais em que a regra de Laplace não é aplicável (ex.: tipo sanguíneo, eficácia de uma vacina)
  • Probabilidade condicionada
    • Definição: P(A|B) = P(A∩B) / P(B), com P(B) > 0
    • Regra do produto: P(A∩B) = P(A)·P(B|A) = P(B)·P(A|B)
    • Árvores de probabilidade para organizar a informação sobre acontecimentos em cadeia
    • Tabelas de contingência para calcular a probabilidade condicionada
    • Acontecimentos independentes: P(A|B) = P(A) ou, equivalentemente, P(A∩B) = P(A)·P(B)
    • Lei da probabilidade total: P(B) = P(B|A1)·P(A1) + ... + P(B|An)·P(An)
  • Modelos de probabilidade em espaços finitos
    • Variável aleatória (discreta): função que associa números aos resultados de um fenómeno aleatório
    • Função massa de probabilidade (f.m.p.) como modelo da população
    • Cálculo de probabilidades de acontecimentos a partir da f.m.p.
    • Parâmetros da população: valor médio (média populacional) µ e desvio padrão populacional σ
    • Paralelismo entre parâmetros populacionais (µ, σ) e estatísticas amostrais (x̄, s)
    • Calcular o valor médio e o desvio padrão populacional de uma v.a. de suporte finito a partir da f.m.p.
  • Modelo Normal
    • Reconhecer o modelo (distribuição) Normal, de suporte contínuo, como um dos modelos de probabilidade mais importantes
    • Curvas simétricas em forma de sino, definidas pelos parâmetros µ e σ
    • O valor médio determina o eixo de simetria; a distância entre µ e os pontos de mudança de curvatura é igual a σ
    • Calcular probabilidades associadas a intervalos com base no modelo Normal, recorrendo à tecnologia
    • O modelo Normal como base de muitos processos de inferência estatística clássica

Introdução à Inferência Estatística

  • Introdução à inferência estatística
    • Raciocínio indutivo ou inferencial: inferir propriedades da população a partir de uma amostra
    • Parâmetro (característica numérica da população) vs. estatística (característica numérica da amostra)
    • Estimador e estimativa: a estatística que estima um parâmetro e o seu valor para uma amostra concreta
    • Leitura crítica da ficha técnica de uma sondagem e do erro associado
    • Amostras aleatórias: necessidade da aleatoriedade para quantificar o erro; seleção com e sem reposição
  • Distribuição de amostragem de uma estatística
    • Distribuição de amostragem de um estimador: distribuição dos valores do estimador em todas as amostras possíveis da mesma dimensão
    • Menor variabilidade da distribuição quanto maior for a dimensão das amostras
    • Distribuição de amostragem da média e o Teorema Limite Central (TLC): aproximação Normal para amostras suficientemente grandes
    • Duas fórmulas para a variância amostral (S2 e S'2) e justificação da preferência por S2 na estimação de σ
    • Limitações das estimativas pontuais devido à variabilidade amostral
  • Intervalos de confiança
    • Intervalo de confiança a 95% para o valor médio µ: [x̄ − 1,96·σ/√n , x̄ + 1,96·σ/√n], substituindo σ por s quando desconhecido
    • Outros níveis de confiança: 90% (1,645) e 99% (2,576)
    • Margem de erro como metade da amplitude do intervalo de confiança
    • Leitura correta do intervalo aleatório: a probabilidade do intervalo conter µ é 95% (e não a probabilidade de µ estar contido)
    • Relação entre margem de erro, nível de confiança e dimensão da amostra
    • Intervalo de confiança para a proporção populacional p, com a proporção amostral P̂ como estimador
    • Leitura adequada de resultados de sondagens divulgados na forma de intervalos de confiança

Competências transversais

Resolução de problemas, modelação e conexões: contacto com o processo de modelação matemática; criticar, validar e aperfeiçoar modelos; aplicar a Matemática à realidade social, populacional e de gestão; Matemática para a cidadania: modelos de grafos em problemas de distribuição e logística locais; sondagens e inferência estatística para uma cidadania informada; literacia estatística; Pensamento Computacional: abstração, decomposição, reconhecimento de padrões, definição de algoritmos e depuração; programas em Python (linguagem natural antes do código) para simulação de lançamentos de dados e exploração de intervalos de confiança; Recurso sistemático à tecnologia: folha de cálculo, calculadora gráfica, GeoGebra, Grinvin, GEPHI, Pordata e simulações para experimentação, visualização e cálculo; Raciocínio dedutivo e lógica matemática: justificar processos de resolução; encadear raciocínios; formular e validar conjeturas (em particular em grafos e probabilidade); Comunicação matemática: interpretar grafos, gráficos, esquemas e dados; utilizar representações múltiplas; produzir relatórios, pósteres e vídeos; História da Matemática: pontes de Königsberg e Euler; teoria malthusiana; modelos matemáticos das epidemias; Práticas enriquecedoras e criatividade: trabalho de projeto em contextos interdisciplinares; Trabalho colaborativo: trabalho em pares e em pequenos grupos com entreajuda e corresponsabilização; Avaliação para a aprendizagem: avaliação formativa com relatórios, cartazes, vídeos, blogs e apresentações orais; Articulação interdisciplinar com Economia, Sociologia, Biologia, Geografia e Ciências Sociais

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de Matemática Aplicada às Ciências Sociais — 11.o Ano (Ensino Secundário), Janeiro 2023 — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em MACS no 11.o ano?
Matemática Aplicada às Ciências Sociais (MACS) do 11.o ano destina-se ao Curso de Línguas e Humanidades e organiza-se em três grandes temas. Em Modelos de Grafos e Populacionais, os alunos estudam a teoria dos grafos (vértices, arestas, ordem, grau, caminhos e circuitos), os grafos de Euler (Teorema de Euler, caminhos eulerianos, problema das pontes de Königsberg) e os grafos de Hamilton (problema do caixeiro viajante, algoritmos e otimização), bem como os modelos populacionais, comparando os crescimentos linear, exponencial, logarítmico e logístico. Em Probabilidade, estudam o fenómeno aleatório, a regra de Laplace, a probabilidade condicionada (árvores e tabelas de contingência), os modelos de probabilidade em espaços finitos (variáveis aleatórias, função massa de probabilidade, valor médio e desvio padrão) e o modelo Normal. Em Introdução à Inferência Estatística, estudam o raciocínio indutivo (parâmetro vs. estatística, estimador e estimativa), a distribuição de amostragem da média, o Teorema Limite Central e a construção de intervalos de confiança para o valor médio e para a proporção. O trabalho de projeto e o recurso à tecnologia (folha de cálculo, GeoGebra e Python) atravessam toda a disciplina.
O que são grafos de Euler e grafos de Hamilton em MACS?
Um grafo é um esquema de pontos (vértices) ligados por linhas (arestas) que modela situações reais, como redes de distribuição ou de transportes. Um grafo admite um circuito de Euler quando é possível percorrer todas as arestas exatamente uma vez, regressando ao ponto de partida — algo que o Teorema de Euler permite verificar a partir do grau dos vértices, e cuja origem histórica está no problema das sete pontes de Königsberg. Já um circuito de Hamilton procura visitar todos os vértices (e não todas as arestas) uma só vez, com partida e chegada no mesmo ponto — o famoso problema do caixeiro viajante. A grande diferença prática é que existem condições simples para os circuitos de Euler, mas não para os de Hamilton, pelo que neste caso se recorre a árvores e algoritmos para procurar a melhor solução (menor distância, menor custo, menos poluição), distinguindo soluções ótimas de soluções aceitáveis.
Que modelos de crescimento populacional se estudam em MACS no 11.o ano?
Em MACS estudam-se quatro modelos de crescimento: o linear (variação constante por unidade de tempo), o exponencial (crescimento cada vez mais rápido, típico de populações sem limitação de recursos ou da teoria malthusiana), o logarítmico (crescimento que abranda progressivamente) e o logístico (crescimento que começa por ser rápido e tende a estabilizar num valor máximo, por exemplo devido à limitação de recursos). Os alunos aprendem a comparar estes modelos, a selecionar o mais adequado a um fenómeno em função dos dados e da variação prevista no tempo, e a reconhecer as limitações dos modelos teóricos quando aplicados à realidade. Recorrem a séries temporais de dados reais (por exemplo da Pordata) para ajustar modelos por regressão estatística, e a ferramentas como o GeoGebra para visualizar os gráficos. Como aprofundamento, pode ainda ser introduzido o modelo de Gompertz.
O que é a probabilidade condicionada e a regra de Laplace estudadas em MACS?
A regra de Laplace aplica-se quando todos os resultados de uma experiência são igualmente prováveis (equiprováveis): a probabilidade de um acontecimento é o número de casos favoráveis a dividir pelo número de casos possíveis — por exemplo, no lançamento de um dado equilibrado. Os alunos aprendem também que, em muitas situações reais (como o tipo sanguíneo de uma pessoa ou a eficácia de uma vacina), esta regra não se aplica e é preciso recorrer à probabilidade frequencista. A probabilidade condicionada P(A|B) calcula a probabilidade de A acontecer sabendo que B já aconteceu, através da fórmula P(A|B) = P(A∩B)/P(B). A partir dela define-se a regra do produto e estuda-se a independência de acontecimentos. Para organizar a informação usam-se árvores de probabilidade e tabelas de contingência, ferramentas muito úteis em problemas com vários passos, como extrações sucessivas sem reposição.
O que é o modelo Normal e para que serve em MACS?
O modelo (ou distribuição) Normal é um dos modelos de probabilidade contínuos mais importantes e serve para descrever fenómenos como a altura ou o peso de indivíduos adultos. A sua representação gráfica é uma curva simétrica em forma de sino, totalmente definida por dois parâmetros: o valor médio µ, que determina o eixo de simetria, e o desvio padrão σ, que corresponde à distância entre o valor médio e os pontos de mudança de curvatura da curva. Em MACS, os alunos aprendem a calcular probabilidades associadas a intervalos com base no modelo Normal recorrendo à tecnologia (calculadora gráfica ou software). O modelo Normal é particularmente importante porque está na base de muitos processos de inferência estatística clássica e é a aproximação garantida pelo Teorema Limite Central para a distribuição da média de amostras grandes.
O que são intervalos de confiança e o Teorema Limite Central estudados em MACS?
A inferência estatística permite tirar conclusões sobre uma população inteira (caracterizada por parâmetros como o valor médio µ) a partir de uma amostra (caracterizada por estatísticas como a média x̄). O Teorema Limite Central (TLC) garante que, para amostras suficientemente grandes, a distribuição de amostragem da média se aproxima de um modelo Normal, qualquer que seja a distribuição da população — o que torna possível a inferência. Com base nisto, constrói-se um intervalo de confiança: por exemplo, um intervalo de 95% de confiança para o valor médio é [x̄ − 1,96·σ/√n , x̄ + 1,96·σ/√n], substituindo σ pelo desvio padrão amostral s quando desconhecido (para 90% usa-se 1,645 e para 99% usa-se 2,576). A leitura correta é que, em cada 100 amostras, cerca de 95 dos intervalos calculados conteriam o verdadeiro valor médio. A margem de erro é metade da amplitude do intervalo. Estuda-se também o intervalo de confiança para a proporção populacional p, fundamental para interpretar as sondagens divulgadas na comunicação social.
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