Aprendizagens Essenciais de História B
10.º Ano
Última atualização: 30 de junho de 2026
Resumo
As Aprendizagens Essenciais de História B do 10.º ano (Ensino Secundário, Curso de Ciências Socioeconómicas) privilegiam a história económica e social, iniciando-se no século XVI, altura em que a reflexão socioeconómica adquire autonomia, e organizam-se em três temas. No tema Dinamismos Económicos da Europa nos Séculos XVI a XVIII, os alunos estudam a Europa a dois ritmos (predominância rural e dinamismo urbano nas cidades atlânticas de Lisboa, Sevilha e Antuérpia), o império português como primeiro poder global naval e comercial, o tráfico de seres humanos, a hegemonia económica britânica e o arranque industrial inglês, e Portugal no contexto da ascensão económica inglesa (Tratado de Methuen, mercantilismo pombalino). No tema Do Antigo Regime à Afirmação do Liberalismo, estudam a crítica à monarquia absoluta e as origens da ideologia liberal (Iluminismo, contrato social, nacionalismo) e a implantação do liberalismo em Portugal (processo revolucionário português, legislação de Mouzinho da Silveira, monarquia constitucional, vintismo, cartismo, setembrismo, cabralismo). No tema Civilização Industrial — Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas, estudam as transformações económicas na Europa e no Mundo (progressos técnicos cumulativos, capitalismo liberal e suas crises), a afirmação da sociedade industrial e urbana (burguesia, movimento operário, socialismo, marxismo, imperialismo, colonialismo) e o caso português (industrialização limitada, Regeneração, livre-cambismo versus protecionismo, crise financeira e surto industrial de 1880-1914, transição do liberalismo monárquico para o republicano). O programa valoriza a multiperspetiva histórica, a análise crítica de fontes diversificadas e a relação entre o passado e o presente.
Conteúdos e temas
Dinamismos Económicos da Europa nos Séculos XVI a XVIII
- Uma Europa a dois ritmos: predominância rural e dinamismo urbano
- Reconhecer no império português o primeiro poder global naval, destacando a sua componente comercial
- Demonstrar que as novas rotas de comércio intercontinental promoveram a circulação de pessoas e produtos
- Compreender que a prosperidade das potências imperiais se ficou também a dever ao tráfico de seres humanos, principalmente de África para as plantações das Américas
- A hegemonia económica britânica
- Justificar a formação de um mercado nacional e o arranque industrial ocorridos em Inglaterra
- Compreender que o agravamento das condições do mundo rural se relacionou com as crises económico-demográficas
- Contextualizar a afirmação de cidades potenciadoras de dinamismos económicos e sociais: os exemplos de Londres e de Lisboa
- Portugal no contexto da ascensão económica da Inglaterra
- Analisar a forma como o Estado português organizou as forças produtivas do reino e do Brasil
- Analisar as questões levantadas com a aplicação do Tratado de Methuen
- Relacionar a política económica e social pombalina com a prosperidade comercial de finais do século XVIII
Do Antigo Regime à Afirmação do Liberalismo
- A crítica da monarquia absoluta e as origens da ideologia liberal
- Analisar a articulação entre o Estado absoluto e a sociedade de ordens
- Reconhecer que o poder social da burguesia em finais do século XVIII resultou de dinamismos mercantis e da aliança com a coroa
- Examinar o fenómeno revolucionário oitocentista, enquanto afirmação da supremacia do princípio da soberania nacional sobre o da legitimidade dinástica
- A implantação do liberalismo em Portugal
- Analisar a interação dos fatores que convergiram no processo revolucionário português
- Enquadrar as resistências à implantação do liberalismo na sociedade portuguesa
- Relacionar a desarticulação do sistema colonial luso-brasileiro e a questão financeira com a transformação do regime
- Validar a importância da legislação de Mouzinho da Silveira para o novo ordenamento político, social e económico
Civilização Industrial — Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas
- As transformações económicas na Europa e no Mundo
- Compreender que a expansão industrial se relacionou com o carácter cumulativo dos progressos técnicos e energéticos e com a racionalização do trabalho
- Problematizar os desfasamentos cronológicos da industrialização e as relações de domínio ou de dependência de diferentes áreas geográficas
- Reconhecer as características das crises do capitalismo liberal, nomeadamente o seu carácter cíclico
- A afirmação da sociedade industrial e urbana
- Analisar o papel dominante da burguesia na expansão da indústria, do comércio e da banca
- Inferir que o movimento operário decorreu dos problemas sociais surgidos com o capitalismo industrial
- Comparar as alterações na estrutura profissional resultantes da industrialização do século XIX com as resultantes da economia digital
- O caso português
- Integrar o processo de industrialização portuguesa no contexto geral, identificando os seus limites
- Contrapor o livre-cambismo ao protecionismo, enquanto políticas económicas que marcaram a Regeneração (1850-80)
- Caracterizar o período de 1880 a 1914 como de depressão e expansão — crise financeira e surto industrial
- Relacionar o esgotamento do liberalismo monárquico com o fortalecimento do liberalismo republicano
Competências transversais
Indagador/Investigador/Conhecedor/sabedor/culto/informado/autónomo: seleção de fontes históricas fidedignas e de diversos tipos; recolha e seleção de dados de fontes históricas; organização sistematizada e autónoma da informação recolhida; estudo autónomo e sistematizado; análise de factos, teorias e situações, selecionando elementos relevantes; estabelecimento de relações intra e interdisciplinares; valorização do património histórico e natural local, regional e europeu, numa perspetiva de cidadania europeia; Criativo: formulação de hipóteses sustentadas em evidências face a acontecimentos ou processos históricos; mobilização do conhecimento adquirido em situações históricas específicas; proposta de alternativas de interpretação a acontecimentos, problematizando-as; promoção da multiperspetiva em História; Crítico/Analítico: mobilização do discurso argumentativo de forma sistemática e autónoma; organização de debates que requeiram sustentação de afirmações; discussão de conceitos, factos e processos históricos numa perspetiva disciplinar e interdisciplinar; análise de diversos tipos de fontes históricas com diferentes pontos de vista; Respeitador da diferença/do outro: aceitação ou argumentação de diversos pontos de vista; interação com os outros no respeito pela diferença e diversidade; confronto de ideias e perspetivas históricas distintas; Sistematizador/organizador: planificação, síntese, revisão e monitorização; registo seletivo de informação recolhida em fontes históricas; construção de sínteses com base em dados recolhidos; elaboração de relatórios e planos específicos e gerais; Questionador: colocação de questões-chave cuja resposta abranja acontecimentos ou processos históricos; questionamento dos conhecimentos prévios; Comunicador: comunicação uni, bi e multidirecional; capacidade de resposta, apresentação e iniciativa; Autoavaliador e heteroavaliador: questionamento organizado e sustentado do trabalho próprio e dos outros; autoavaliação de aprendizagens, comportamentos e atitudes; avaliação construtiva das aprendizagens dos outros; aceitação construtiva de críticas; Participativo/colaborador/cuidador de si e do outro: colaboração com pares e professores; apoio ao trabalho colaborativo; intervenção solidária nas tarefas de aprendizagem; disponibilidade para o autoaperfeiçoamento; Responsável/autónomo: assunção de responsabilidades nas tarefas, atitudes e comportamentos; assunção e cumprimento de compromissos; apresentação de trabalhos com auto e heteroavaliação