Ensino Secundário

Aprendizagens Essenciais de História A

12.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

História A do 12.º ano dedica-se integralmente ao estudo do século XX, articulado em três grandes temas com uma perspetiva problematizante das relações entre o passado e o presente. No primeiro tema — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais — os alunos analisam as mudanças geopolíticas da I Guerra Mundial, a revolução soviética de 1917 e a construção do comunismo, as mutações culturais do início do século (vanguardas, feminismo, modernismo), o Portugal do primeiro pós-guerra, a crise de 1929, a ascensão dos totalitarismos (fascismo, nazismo, antissemitismo, Holocausto, estalinismo) e o Estado Novo de Salazar (corporativismo, condicionamento industrial, mecanismos repressivos). No segundo tema — Portugal e o Mundo da II Guerra ao início dos anos 80 — estudam o surgimento do mundo bipolar da Guerra Fria (EUA vs. URSS, estado-providência, sociedade de consumo, corrida espacial), a descolonização, e em Portugal: o imobilismo do Estado Novo após II Guerra, a oposição democrática, a guerra colonial, o marcelismo e as suas fragilidades, o 25 de Abril de 1974 e o papel do MFA, o PREC, a descolonização e a entrada nas Comunidades Europeias em 1986. No terceiro tema — Alterações Geoestratégicas e Transformações Socioculturais no Mundo Atual — analisam o fim da Guerra Fria e o desmoronamento da URSS (Perestroika), a hegemonia dos EUA, o aprofundamento da UE, a abertura da China, e os desafios contemporâneos (globalização, multiculturalidade, cidadania digital, ambiente) e a inserção de Portugal na Europa e no espaço lusófono (PALOP).

Conteúdos e temas

Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais na Primeira Metade do Século XX

  • As transformações das primeiras décadas do século XX
    • Mudanças geopolíticas resultantes da I Guerra Mundial
    • Construção do modelo ideológico socialista: antagonismos sociais e políticos que levaram à revolução de outubro de 1917
    • Mudança de mentalidade da sociedade burguesa de início do século XX: I Guerra Mundial, evolução técnica e corte com os cânones clássicos da arte europeia
    • Conceitos: comunismo; marxismo-leninismo; ditadura do proletariado; feminismo; modernismo; vanguarda cultural
  • Portugal no primeiro pós-guerra
    • Condicionalismos que conduziram à falência da 1.ª República e à implantação de um regime autoritário
    • Tendências culturais no Portugal do após I Guerra: naturalismo versus vanguardas
  • O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30
    • Expansão de novas ideologias e intervencionismo dos Estados democráticos à luz das crises do capitalismo liberal; crise de 1929
    • Caracterização dos regimes fascista, nazi e estalinista: particularismos e papel da propaganda
    • Perseguições no quadro do totalitarismo nazi: judeus, ciganos, eslavos, homossexuais, opositores políticos e outros grupos; tentativa de controlo racial, político, social e cultural
    • Conceitos: craque bolsista; deflação; inflação; totalitarismo; fascismo; nazismo; antissemitismo; Holocausto; genocídio
  • Portugal: o Estado Novo
    • Triunfo das forças conservadoras e aproximação do regime português ao modelo fascista italiano
    • Políticas económicas do Estado Novo: estabilidade financeira, defesa da ruralidade, obras públicas, condicionamento industrial, corporativização dos sindicatos
    • Política cultural do regime
    • Estado Novo como regime autoritário: mecanismos repressivos das liberdades individuais e coletivas (PIDE, censura)
    • Conceitos: corporativismo; autoritarismo

Portugal e o Mundo, da Segunda Guerra Mundial ao Início da Década de 80: Opções Internas e Contexto Internacional

  • A degradação do ambiente internacional e nascimento de um novo quadro geopolítico
    • Guerra civil espanhola como antecâmara da II Guerra Mundial
    • A partir de 1942/43: derrota iminente do eixo nazi-fascista e nova realidade geopolítica (mundo comunista vs. mundo capitalista)
    • Mundo bipolar do após II Guerra: confronto entre EUA e URSS com ideologias e modelos políticos antagónicos
    • Primeiros movimentos independentistas
    • Políticas económicas e sociais das democracias ocidentais: sociedade de consumo e estado-providência
    • Comparação do modelo capitalista com o modelo de direção central soviético
    • Escalada armamentista e corrida espacial no contexto da Guerra Fria
    • Conceitos: Guerra-Fria; descolonização; sociedade de consumo; estado-providência; democracia popular; neocolonialismo
  • Portugal, do autoritarismo à democracia
    • Manutenção do Estado Novo nos anos do após-guerra: relação com a Guerra Fria
    • Portugal após II Guerra até 1974: imobilismo político e crescimento económico
    • Surto industrial e urbano, estagnação do mundo rural e movimentos migratórios
    • Correntes oposicionistas ao Estado Novo: acontecimentos de 1958 (eleições presidenciais de Humberto Delgado)
    • Fomento económico das colónias: retórica imperial e progressivo isolamento internacional
    • Fragilidades do marcelismo: reformismo político inconsequente e desgaste da Guerra Colonial
    • Modernização da sociedade portuguesa nas décadas de 60 e 70 (demografia e comportamentos) como fator de desagregação do regime
    • Revolução de 25 de Abril de 1974: eclosão, papel do MFA, desmantelamento das estruturas do Estado Novo
    • Processo de democratização: do PREC à consolidação democrática; descolonização; política económica anti-monopolista
    • Revisão constitucional de 1982 e entrada de Portugal nas Comunidades Europeias: consolidação democrática e modernização
    • Avaliação do sucesso da Revolução de 74 e do processo de democratização
    • Conceitos: oposição democrática; poder popular; nacionalização; reforma agrária; democratização

Alterações Geoestratégicas, Tensões Políticas e Transformações Socioculturais no Mundo Atual

  • O fim do sistema internacional da Guerra Fria e a persistência da dicotomia Norte-Sul
    • Impacto da desagregação do bloco soviético na geopolítica internacional e na evolução dos países do antigo bloco
    • Guerra Fria e seu desfecho: papel na persistência de tensões pluriétnicas, nacionalistas e religiosas
    • Hegemonia dos EUA: prosperidade económica, supremacia militar e dinamismo científico e tecnológico
    • Cidadania europeia e aprofundamento da União Europeia: importância no sistema mundial
    • Modernização e abertura da China à economia de mercado: integração de Hong Kong e Macau
    • Conceitos: geopolítica; Perestroika
  • A viragem para uma outra era
    • Elementos definidores do tempo presente: massificação; cultura urbana; hegemonia do mundo virtual; ideologia dos direitos humanos; respeito pelos direitos dos animais; consciência ecológica
    • Globalização: economia, migrações, segurança e ambiente
    • Conceitos: multiculturalidade; interculturalidade; ambientalismo; globalização; neoliberalismo; cidadania digital
  • Portugal no novo quadro internacional
    • Impacto da integração europeia para Portugal a nível interno e externo; protagonismo em instituições internacionais
    • Relações entre Portugal, os países lusófonos e a área ibero-americana desde o 25 de Abril de 1974
    • Conceito: PALOP

Competências transversais

Pesquisa autónoma e planificada em meios diversificados; seleção crítica de fontes históricas fidedignas de tipos variados; Análise de fontes históricas: distinguir informação implícita e explícita; identificar limites das fontes para o conhecimento do passado; Análise de textos historiográficos: identificar a opinião do autor como interpretação suscetível de revisão; Uso seguro de conceitos operatórios e metodológicos da disciplina; Situação cronológica e espacial de acontecimentos do século XX; relação com os contextos históricos; Relação entre história de Portugal e história europeia e mundial; Multiperspetiva e comparação entre realidades distintas; Comunicação histórica: discurso oral e escrito argumentativo; elaboração de sínteses com correção linguística; Mobilização de conhecimentos históricos para fundamentar opiniões sobre problemas contemporâneos; Consciência cidadã: valorizar os direitos humanos e a democracia; respeitar a diversidade étnica, ideológica, cultural e sexual; problematizar as relações entre passado e presente; Autonomia pessoal: clarificação de um sistema de valores numa perspetiva humanista; Articulação interdisciplinar com Português, Geografia, Economia e Cidadania e Desenvolvimento

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de História A — 12.º Ano (Ensino Secundário), Agosto 2018 (Revisão Fevereiro 2022) — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em História A no 12.º ano?
História A do 12.º ano dedica todo o ano ao estudo do século XX, organizado em três grandes temas. No primeiro — Crises, Embates Ideológicos e Mutações Culturais — estudam-se as transformações geopolíticas da I Guerra Mundial, a revolução soviética de 1917, a mudança cultural do início do século (feminismo, vanguardas), o Portugal do primeiro pós-guerra, a crise de 1929 e a ascensão dos totalitarismos (fascismo, nazismo e estalinismo com o Holocausto) e o Estado Novo. No segundo — Portugal e o Mundo da II Guerra ao início dos anos 80 — analisam-se o mundo bipolar da Guerra Fria (capitalismo vs. comunismo, estado-providência, corrida espacial), a descolonização, e o caso português (imobilismo do Estado Novo, guerra colonial, 25 de Abril de 1974, PREC, descolonização e entrada nas Comunidades Europeias). No terceiro — Alterações Geoestratégicas e Transformações no Mundo Atual — estudam-se o fim da Guerra Fria, o desmoronamento da URSS, a hegemonia dos EUA, a UE, a China, e os desafios contemporâneos (globalização, multiculturalidade, cidadania digital, ambiente), além da inserção de Portugal na Europa e no espaço lusófono.
Como se caracterizam os regimes totalitários estudados em História A no 12.º ano?
Os regimes totalitários distinguem-se pela sua pretensão de controlo total sobre todos os aspetos da vida pública e privada. O fascismo italiano (Mussolini), o nazismo alemão (Hitler) e o estalinismo soviético (Estaline) partilham características: partido único, culto da personalidade do líder, supressão das liberdades, uso sistemático da propaganda e da violência. O nazismo distingue-se pelo seu antissemitismo radical — a perseguição sistemática de judeus, ciganos, eslavos, homossexuais e opositores políticos culminou no Holocausto (o genocídio de seis milhões de judeus). O estalinismo distingue-se pela coletivização forçada, as purgas e o sistema de campos de trabalho (Gulag). O Estado Novo de Salazar foi um regime autoritário (não totalitário no sentido pleno) que adotou elementos do fascismo italiano: partido único (União Nacional), censura, PIDE (polícia política), corporativismo e condicionamento industrial.
Qual foi a crise de 1929 e quais as suas consequências estudadas em História A no 12.º ano?
A crise de 1929 (Grande Depressão) foi desencadeada pelo craque da bolsa de Nova Iorque em outubro desse ano: a especulação bolsista excessiva e o sobreendividamento levaram ao colapso das cotações, gerando deflação, falências em massa, desemprego estrutural e uma recessão global. As consequências foram devastadoras: quebra do comércio internacional, descrédito do liberalismo económico e ascensão de ideologias alternativas. As democracias ocidentais responderam com o intervencionismo estatal (New Deal de Roosevelt nos EUA). Na Europa, a crise agravou as tensões sociais e políticas, favorecendo a ascensão de partidos fascistas e nazis que prometiam ordem, emprego e grandeza nacional. O nazismo de Hitler chegou ao poder na Alemanha em 1933, em grande parte em consequência da crise económica e da humilhação do Tratado de Versalhes.
O que foi o Estado Novo e quais as suas características estudadas em História A no 12.º ano?
O Estado Novo foi o regime autoritário português liderado por Salazar de 1933 (data da Constituição) até 1968, com continuidade sob Caetano (marcelismo) até ao 25 de Abril de 1974. As suas características incluíam: o corporativismo como modelo de organização social e económica (sindicatos corporativos controlados pelo Estado); o condicionamento industrial (limitação à iniciativa privada sem autorização estatal); a defesa da ruralidade e da estabilidade financeira como pilares ideológicos; uma política cultural assente no triângulo 'Deus, Pátria, Família'; a censura à imprensa e às artes; a PIDE/DGS como polícia política repressiva; e a manutenção do império colonial como pilar identitário. O regime aproximou-se do modelo fascista italiano mas distinguiu-se pela menor mobilização de massas e pela neutralidade na II Guerra Mundial.
O que foi o 25 de Abril de 1974 e como decorreu o processo de democratização estudado em História A no 12.º ano?
O 25 de Abril de 1974 foi uma revolução militar levada a cabo pelo MFA (Movimento das Forças Armadas) que derrubou o Estado Novo após quase 50 anos. As causas foram múltiplas: o desgaste da guerra colonial em três frentes (Angola, Moçambique e Guiné-Bissau), o imobilismo político do marcelismo, a modernização da sociedade portuguesa nas décadas de 60-70 e a influência da oposição democrática. O período que se seguiu — o PREC (Processo Revolucionário em Curso, 1974-1975) — foi marcado por forte agitação política, nacionalizações de empresas e bancos, reforma agrária e tensão entre diferentes projetos de sociedade. O 25 de Novembro de 1975 estabilizou o processo. A aprovação da Constituição em 1976 e a sua revisão em 1982 consolidaram a democracia. A descolonização resultou na independência dos territórios africanos. A entrada nas Comunidades Europeias em 1986 foi decisiva para a modernização e consolidação democrática.
Quais os desafios do mundo contemporâneo estudados em História A no 12.º ano?
O terceiro tema do 12.º ano analisa o mundo após o fim da Guerra Fria. A desagregação do bloco soviético (queda do muro de Berlim em 1989, desmoronamento da URSS em 1991) gerou um período de hegemonia americana mas também de tensões pluriétnicas, nacionalistas e religiosas (ex.: guerras balcânicas, conflitos no Médio Oriente). A UE aprofundou-se e a China modernizou-se e integrou Hong Kong e Macau. Os elementos definidores do tempo presente incluem: massificação, cultura urbana, hegemonia do mundo virtual, ideologia dos direitos humanos, consciência ecológica e ambientalismo, e a globalização (económica, migratória, de segurança e ambiental). Os conceitos de multiculturalidade, interculturalidade, neoliberalismo e cidadania digital são centrais. Portugal consolidou a sua integração europeia, ganhou protagonismo internacional e aprofundou as relações com os PALOP e com o espaço ibero-americano.
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