Ensino Secundário

Aprendizagens Essenciais de História A

10.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

História A do 10.º ano é a disciplina estruturante do Curso de Línguas e Humanidades, cobrindo da Antiguidade Clássica ao século XVI num estudo aprofundado das matrizes culturais da civilização europeia. No primeiro tema — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia — os alunos estudam a polis ateniense e as suas formas restritas de participação democrática, e o modelo romano de cidadania como integração, organização urbana do Império e o vasto legado clássico (direito, língua, urbanismo, arte) para a civilização ocidental, incluindo a romanização da Península Ibérica. No segundo tema — Dinamismo Civilizacional da Europa Ocidental nos Séculos XIII a XIV — analisam o cristianismo como matriz identitária, a fragmentação feudal e o papel do senhorio, a especificidade da sociedade portuguesa concelhia, os privilégios senhoriais e a afirmação do poder régio como elemento estruturante da independência de Portugal. No terceiro tema — A Abertura Europeia ao Mundo nos Séculos XV e XVI — estudam o pioneirismo português (primeiro poder global naval, inovação técnica, experiencialismo), as novas rotas comerciais e a globalização, o tráfico de escravos, a arte renascentista europeia e portuguesa (antropocentrismo, perspetiva, naturalismo, manuelino) e a renovação espiritual (Reforma Protestante, Contrarreforma, impacto da Inquisição em Portugal). Transversalmente, a disciplina desenvolve competências de análise de fontes diversificadas, multiperspetiva, argumetação histórica, comunicação escrita e oral, e consciência histórica crítica.

Conteúdos e temas

Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia — Cidade, Cidadania e Império na Antiguidade Clássica

  • O modelo ateniense
    • A polis ateniense como centro politicamente autónomo
    • Formas restritas de participação democrática em Atenas: quem participava e quem estava excluído
  • O modelo romano
    • Extensão do direito de cidadania romana como processo de integração
    • Formas de organização do espaço nas cidades do Império Romano: funções cívicas, políticas e culturais
    • Legado político e cultural clássico para a civilização ocidental: administração, língua, direito, urbanismo, arte e literatura
    • Instrumentos de aculturação usados no processo de romanização da Península Ibérica
    • Conceitos: urbe; império; cidadão; Direito; urbanismo; romanização; civilização; época clássica

Dinamismo Civilizacional da Europa Ocidental nos Séculos XIII a XIV — Espaços, Poderes e Vivências

  • O espaço português
    • O cristianismo como matriz identitária europeia
    • Rutura entre a realidade imperial romana e a realidade medieval: fragmentação e circunscrição ao local e ao regional
    • O senhorio como realidade organizadora da vida económica e social do mundo rural: formas de dominação
    • Autonomização e independência de Portugal no movimento de expansão demográfica, económica, social e religiosa europeia
    • Especificidade da sociedade portuguesa concelhia: diversidade de estatutos sociais e modalidades de relacionamento com o poder régio e os poderes senhoriais
    • Privilégios e imunidades no exercício do poder senhorial
    • Afirmação do poder régio em Portugal como elemento estruturante da coesão interna e da independência do país
    • Conceitos: concelho; senhorio; vassalidade; imunidade; monarquia feudal; cortes/parlamento; época medieval

A Abertura Europeia ao Mundo — Mutações nos Conhecimentos, Sensibilidades e Valores nos Séculos XV e XVI

  • O alargamento do conhecimento do mundo
    • Papel dos portugueses na abertura europeia ao mundo e contribuição para a síntese renascentista
    • O império português como primeiro poder global naval
    • Contributo português baseado na inovação técnica e na observação e descrição da natureza; abertura ao desenvolvimento da ciência moderna
    • Novas rotas de comércio intercontinental: circulação de pessoas e produtos, influência nos hábitos culturais à escala global
    • Tráfico de seres humanos (de África para as Américas) como base da prosperidade das potências imperiais
    • Conceitos: navegação astronómica; cartografia; experiencialismo; globalização
  • A reinvenção das formas artísticas
    • Produção cultural renascentista europeia e portuguesa: heranças da Antiguidade Clássica; continuidades e ruturas com o período medieval
    • Retoma renascentista da conceção antropocêntrica e da perspetiva matemática no urbanismo, na arquitetura e na pintura
    • Expressão naturalista na pintura e na escultura
    • Produção artística em Portugal: do gótico-manuelino à afirmação das novas tendências renascentistas
    • Conceitos: Renascimento; humanista; antropocentrismo; classicismo; naturalismo; perspetiva; Manuelino
  • A renovação espiritual e religiosa
    • Reforma Protestante como movimento de humanização e individualização das crenças
    • Contrarreforma Católica como resposta à Reforma Protestante
    • Principais igrejas reformadas: características e diferenças
    • Impacto da reforma católica na sociedade portuguesa
    • Conceitos: Reforma; contrarreforma; heresia; dogma; sacramento; inquisição; época moderna; identidade

Competências transversais

Pesquisa autónoma e planificada em meios diversificados; seleção crítica de fontes históricas fidedignas de tipos variados; Análise de fontes históricas: distinguir informação implícita e explícita; identificar limites das fontes para o conhecimento do passado; Análise de textos historiográficos: identificar a opinião do autor como interpretação suscetível de revisão; Uso seguro de conceitos operatórios e metodológicos da disciplina; Situação cronológica e espacial de acontecimentos e processos; relação com os contextos em que ocorreram; Identificação da multiplicidade de fatores e da ação de indivíduos e grupos em fenómenos históricos; Situação e caracterização de aspetos da história de Portugal, europeia e mundial; relação entre a história nacional e a história europeia e mundial; Multiperspetiva em História: confronto de interpretações distintas; Mobilização de conhecimentos históricos para fundamentar opiniões sobre problemas contemporâneos; Comunicação histórica: elaboração de sínteses com correção linguística e criatividade; discurso oral e escrito argumentativo; Autonomia pessoal: clarificação de um sistema de valores numa perspetiva humanista; Consciência da cidadania democrática e da diversidade intercultural; respeito pela diferença étnica, ideológica, cultural e sexual; Articulação interdisciplinar com Português, Geografia, Artes Visuais e Latim/Grego

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de História A — 10.º Ano (Ensino Secundário), Agosto 2018 (Revisão Fevereiro 2022) — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em História A no 10.º ano?
História A do 10.º ano é a disciplina obrigatória e estruturante do Curso de Línguas e Humanidades, organizada em três grandes temas que cobrem da Antiguidade Clássica ao século XVI. No primeiro tema — Raízes Mediterrânicas da Civilização Europeia — estuda-se o modelo democrático ateniense (polis, formas restritas de participação) e o modelo romano (cidadania como integração, organização urbana, legado jurídico e cultural, romanização da Península Ibérica). No segundo tema — Dinamismo Civilizacional da Europa Ocidental nos Séculos XIII a XIV — analisa-se o papel do cristianismo, a estrutura feudal e senhorial, a especificidade da sociedade portuguesa concelhia e a afirmação do poder régio em Portugal. No terceiro tema — A Abertura Europeia ao Mundo nos Séculos XV e XVI — estudam-se o papel dos portugueses nas descobertas, o tráfico de escravos, a arte renascentista (europeia e portuguesa) e a Reforma Protestante e Contrarreforma.
Qual o legado de Roma estudado em História A no 10.º ano?
O legado romano para a civilização ocidental é analisado em vários domínios. No direito, Roma criou sistemas jurídicos que estão na base do direito moderno europeu (direito romano). Na língua, o latim foi a língua franca do Império e gerou as línguas românicas (português, espanhol, francês, italiano, romeno). Na administração, o modelo de governo imperial influenciou a organização estatal posterior. No urbanismo, a cidade romana (com o fórum, as termas, o teatro, a rede de estradas) definiu padrões de organização urbana. Na arte e literatura, os modelos greco-romanos foram a referência do Renascimento. Em Portugal, a romanização da Península Ibérica foi um processo de aculturação que difundiu a língua, o direito, a cultura urbana e a religião cristã.
Como se organizava a sociedade medieval portuguesa estudada em História A no 10.º ano?
A sociedade medieval organizava-se em torno do senhorio — a unidade económica, social e política do mundo rural, controlada por um senhor (nobre ou eclesiástico) que exercia poderes de dominação sobre os camponeses dependentes. O sistema de vassalidade ligava os nobres ao rei através de laços de fidelidade e serviço militar. Os concelhos eram as comunidades urbanas (vilas e cidades) com foros e privilégios próprios, constituindo uma especificidade da sociedade portuguesa que permitia diversidade de estatutos sociais. As cortes/parlamentos eram assembleias onde os três estados (clero, nobreza e povo) se reuniam com o rei. A afirmação do poder régio foi o processo pelo qual os reis portugueses foram limitando o poder senhorial e reforçando a coesão e independência do reino, apoiados pelos concelhos e pela Igreja.
Qual foi o contributo português para a abertura europeia ao mundo nos séculos XV e XVI estudado em História A?
Portugal foi pioneiro na expansão marítima europeia, constituindo o primeiro poder global naval. O contributo português baseou-se na inovação técnica (caravela, instrumentos de navegação astronómica como o astrolábio e o quadrante) e na observação sistemática e descrição da natureza, abrindo caminho ao método científico moderno e ao experiencialismo. As novas rotas de comércio intercontinental (rota do Cabo para a Índia, rotas atlânticas) promoveram a circulação de pessoas, produtos e culturas à escala global — o processo de globalização. Portugal contribuiu também para a síntese renascentista ao trazer para a Europa novos conhecimentos geográficos, botânicos e etnográficos. Porém, o documento salienta igualmente que a prosperidade imperial se ficou também a dever ao tráfico de seres humanos de África para as Américas.
Como se caracteriza a arte renascentista europeia e portuguesa estudada em História A no 10.º ano?
O Renascimento retomou a herança da Antiguidade Clássica (classicismo) e afirmou o antropocentrismo — o ser humano como centro e medida de todas as coisas — em substituição do teocentrismo medieval. Na arquitetura e no urbanismo, recuperou-se a perspetiva matemática e as formas clássicas (colunas, arcos, cúpulas). Na pintura e na escultura, o naturalismo caracterizou a representação realista do corpo humano e da natureza. Em Portugal, este período é marcado pela coexistência do gótico-manuelino (com a sua riqueza decorativa de inspiração marítima e naturalista) e da afirmação progressiva das novas tendências renascentistas. Os principais conceitos a dominar são: Renascimento, humanista, antropocentrismo, classicismo, naturalismo, perspetiva e Manuelino.
O que foram a Reforma Protestante e a Contrarreforma e qual o seu impacto em Portugal estudados em História A no 10.º ano?
A Reforma Protestante (século XVI) foi um movimento de renovação religiosa iniciado por Martinho Lutero que criticou práticas da Igreja Católica (indulgências, poder papal) e defendeu a humanização e individualização da fé — a relação direta do crente com Deus através da leitura da Bíblia. Originou várias igrejas reformadas (luteranismo, calvinismo, anglicanismo). A Contrarreforma foi a resposta da Igreja Católica: o Concílio de Trento (1545-1563) reafirmou os dogmas católicos, reformou internamente a Igreja e criou instrumentos de controlo como a Inquisição e a Companhia de Jesus (jesuítas). Em Portugal, o impacto foi significativo: a Inquisição tornou-se especialmente ativa, perseguindo cristãos-novos (judeus convertidos) e qualquer desvio à ortodoxia católica, condicionando profundamente a vida intelectual e religiosa do país.
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