Ensino Secundário

Aprendizagens Essenciais de História A

11.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

História A do 11.º ano aprofunda o estudo da sociedade europeia dos séculos XVII ao XIX, cobrindo três grandes temas em sequência cronológica. No primeiro tema — A Europa nos Séculos XVII e XVIII — os alunos analisam o Antigo Regime (absolutismo vs. parlamentarismo inglês fundamentado por Locke), as dinâmicas económicas coloniais (mercantilismo, tráfico negreiro, comércio triangular, arranque industrial inglês, política pombalina) e o Iluminismo (soberania popular, divisão de poderes). No segundo tema — O Liberalismo nos Séculos XVIII e XIX — estudam as revoluções americana e francesa como paradigmas liberais, o processo de implantação do liberalismo em Portugal (Revolução de 1820, Constituição de 1822, Carta Constitucional de 1826, guerra civil, setembrismo, cabralismo e legislação de Mouzinho da Silveira) e o legado liberal (cidadania, abolição da escravatura, contributo para os regimes democráticos). No terceiro tema — A Civilização Industrial — caracterizam as transformações económicas (capitalismo industrial, livre-cambismo, crises cíclicas), a sociedade industrial e urbana (burguesia, proletariado, movimento operário, socialismo, marxismo, sufrágio universal), o caso português (Regeneração, periferismo industrial, esgotamento da monarquia, projeto republicano) e os caminhos da cultura de finais do século XIX (positivismo, realismo, impressionismo, Arte Nova).

Conteúdos e temas

A Europa nos Séculos XVII e XVIII — Sociedade, Poder e Dinâmicas Coloniais

  • A Europa dos Estados absolutos e a Europa dos parlamentos
    • Fundamentos da organização política e social do Antigo Regime e as suas expressões
    • Diversidade de estratos sociais, comportamentos e valores no Antigo Regime
    • Razões do sucesso do absolutismo joanino: criação e desenvolvimento do aparelho burocrático a partir do século XVII
    • Recusa do absolutismo na sociedade inglesa: fundamentação do parlamentarismo na obra de Locke
    • Conceitos: Antigo Regime; monarquia absoluta; ordem/estado; estratificação social; parlamento
  • Triunfo dos Estados e dinâmicas económicas nos séculos XVII e XVIII
    • Equilíbrio político internacional e domínio de espaços coloniais; práticas mercantilistas como afirmação das economias nacionais
    • Arranque industrial em Inglaterra: transformação das estruturas económicas
    • Políticas económicas portuguesas no contexto do espaço euro-atlântico
    • Política económica e social pombalina no contexto da prosperidade comercial de finais do século XVIII
    • Conceitos: capitalismo comercial; protecionismo; mercantilismo; balança comercial; exclusivo colonial; companhia monopolista; comércio triangular; tráfico negreiro; manufatura; bolsa de valores; mercado nacional; revolução industrial
  • Construção da modernidade europeia
    • Progressos do conhecimento e filosofia das Luzes como contributos para a construção da modernidade europeia
    • Conceitos: iluminismo; soberania popular; divisão de poderes

O Liberalismo — Ideologia e Revolução, Modelos e Práticas nos Séculos XVIII e XIX

  • A implantação do liberalismo em Portugal
    • Revolução americana e revolução francesa como paradigmas das revoluções liberais e burguesas
    • Processo revolucionário português: contexto das invasões napoleónicas, saída da corte para o Brasil e desarticulação do sistema económico-financeiro luso-brasileiro
    • Revolução de 1820 e dificuldades de implantação da ordem liberal (1820-1834)
    • Princípios fundamentais da Constituição de 1822 e da Carta Constitucional de 1826
    • Legislação de Mouzinho da Silveira; projetos setembrista e cabralista no novo ordenamento político e socioeconómico (1834-1851)
    • Evolução do conceito de cidadania a partir da implantação dos regimes liberais
    • Conceitos: carta constitucional; vintismo; cartismo; setembrismo; cabralismo
  • O legado do liberalismo na primeira metade do século XIX
    • Princípios da igualdade de direitos e soberania nacional em oposição à legitimidade dinástica
    • Alterações de mentalidade e comportamentos nas revoluções liberais: o cidadão ator político; direito à propriedade e à livre iniciativa
    • Abolição da escravatura na Europa e em Portugal
    • Contributo das revoluções liberais para os regimes democráticos contemporâneos
    • Conceitos: revolução liberal; constituição; sistema representativo; soberania nacional; estado laico; sufrágio censitário; liberalismo económico; época contemporânea

A Civilização Industrial — Economia e Sociedade; Nacionalismos e Choques Imperialistas

  • As transformações económicas na Europa e no Mundo
    • Desfasamentos cronológicos da industrialização (nacional e internacional): relações de domínio e dependência
    • Crises do capitalismo liberal
    • Divisão internacional do trabalho como consequência do capitalismo liberal
    • Conceitos: capitalismo industrial; livre-cambismo; crise cíclica
  • A sociedade industrial e urbana
    • Expansão da indústria, comércio e banca: posição dominante da burguesia e formação das classes médias
    • Comparação entre valores e comportamentos das classes burguesas e da nobreza do Antigo Regime
    • Problemas sociais do capitalismo industrial: movimento operário, propostas socialistas revolucionárias e transformação da sociedade
    • Conceitos: explosão demográfica; sociedade de classes; proletariado; movimento operário; socialismo; marxismo; sindicalismo; sufrágio universal; demoliberalismo
  • Portugal, uma sociedade capitalista periférica
    • Processo português de industrialização no contexto europeu: limites e desfasamentos cronológicos
    • Regeneração (1850-1880): desenvolvimento de infraestruturas e dinamização da atividade produtiva; causas que limitaram o crescimento económico
    • Dicotomia depressão/expansão entre 1880 e 1914: crise financeira de 1880-90 e surto industrial de final do século XIX
    • Fatores que contribuíram para o esgotamento da monarquia constitucional e fortalecimento do projeto republicano
    • Conceitos: imperialismo; colonialismo; nacionalismo; Regeneração
  • Os caminhos da cultura
    • Movimento de renovação no pensamento e nas artes de finais do século XIX
    • Dinamismo cultural português do último terço do século XIX
    • Conceitos: positivismo; impressionismo; realismo; Arte Nova

Competências transversais

Pesquisa autónoma e planificada em meios diversificados; seleção crítica de fontes históricas fidedignas de tipos variados; Análise de fontes históricas: distinguir informação implícita e explícita; identificar limites das fontes para o conhecimento do passado; Análise de textos historiográficos: identificar a opinião do autor como interpretação suscetível de revisão em função dos avanços historiográficos; Uso seguro de conceitos operatórios e metodológicos da disciplina; Situação cronológica e espacial de acontecimentos (séculos XVII a XIX); relação com os contextos em que ocorreram; Identificação da multiplicidade de fatores e da ação de indivíduos e grupos em fenómenos históricos; Relação entre história de Portugal e história europeia e mundial; analogias e especificidades nacionais; Multiperspetiva em História: confronto de interpretações distintas; Comunicação histórica: discurso oral e escrito argumentativo com correção linguística; elaboração de sínteses criativas; Mobilização de conhecimentos históricos para fundamentar opiniões sobre problemas contemporâneos; Consciência da cidadania: valorizar os direitos humanos, a diversidade cultural e a igualdade; respeitar a diferença étnica, ideológica, cultural e sexual; Autonomia pessoal: clarificação de um sistema de valores numa perspetiva humanista; Articulação interdisciplinar com Português, Geografia, Economia e Educação para a Cidadania

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de História A — 11.º Ano (Ensino Secundário), Agosto 2018 (Revisão Fevereiro 2022) — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em História A no 11.º ano?
História A do 11.º ano abrange os séculos XVII a XIX num estudo aprofundado de três grandes temas. No primeiro — A Europa nos Séculos XVII e XVIII — analisa-se o Antigo Regime (absolutismo e parlamentarismo inglês), as dinâmicas económicas coloniais (mercantilismo, comércio triangular, tráfico negreiro, arranque industrial inglês, política pombalina) e o Iluminismo (soberania popular, divisão de poderes). No segundo — O Liberalismo nos Séculos XVIII e XIX — estuda-se a revolução americana e francesa como paradigmas liberais, o processo de implantação do liberalismo em Portugal (1820-1851), a Constituição de 1822 e a Carta Constitucional de 1826, e o legado liberal (cidadania, abolição da escravatura). No terceiro — A Civilização Industrial — caracterizam-se as transformações económicas (capitalismo industrial, crises cíclicas), a sociedade industrial e urbana (burguesia, proletariado, socialismo, marxismo), o caso português (Regeneração, monarquia constitucional, projeto republicano) e os caminhos da cultura (positivismo, realismo, impressionismo, Arte Nova).
Qual a diferença entre absolutismo e parlamentarismo estudada em História A no 11.º ano?
O absolutismo é um sistema de governo em que o poder do monarca é ilimitado — o rei governa sem estar sujeito a qualquer outra autoridade (lei, parlamento ou Igreja), concentrando em si os poderes executivo, legislativo e judicial. Em Portugal, o absolutismo joanino do século XVII afirmou-se com a criação de um aparelho burocrático centralizado. Em Inglaterra, porém, o parlamentarismo foi-se impondo através das Revoluções de 1640 e 1688 (Revolução Gloriosa), limitando o poder real e atribuindo ao Parlamento o controlo das leis e dos impostos. John Locke fundamentou filosoficamente este modelo, defendendo que o poder político emana de um contrato social e que os cidadãos têm direito a resistir ao poder tirano. A contraposição entre estes dois modelos é central para compreender as origens do liberalismo.
O que foi o mercantilismo e qual o seu papel nas dinâmicas coloniais estudadas em História A no 11.º ano?
O mercantilismo foi a doutrina económica dominante nos séculos XVII e XVIII, segundo a qual a riqueza de um Estado dependia da acumulação de metais preciosos e de uma balança comercial favorável (exportar mais do que importar). Para o garantir, os Estados recorreram ao protecionismo (tarifas alfandegárias, companhias monopolistas) e ao controlo colonial através do exclusivo colonial — as colónias só podiam comerciar com a metrópole. O comércio triangular (Europa-África-Américas) e o tráfico negreiro foram instrumentos centrais deste sistema: escravos africanos eram vendidos às plantações americanas, cujos produtos (açúcar, tabaco, algodão) eram exportados para a Europa. Em Portugal, a política pombalina de finais do século XVIII usou companhias monopolistas e o protecionismo como instrumentos de afirmação económica no espaço euro-atlântico.
Como se implantou o liberalismo em Portugal e quais foram as principais etapas estudadas em História A no 11.º ano?
A implantação do liberalismo em Portugal foi um processo longo e conflituoso (1820-1851). A Revolução Liberal de 1820 (vintismo) deu origem à Constituição de 1822, de inspiração democrática, que estabelecia a soberania nacional e um sistema representativo. A saída da corte para o Brasil (1807) e a desarticulação do sistema económico-financeiro luso-brasileiro criaram as condições para a eclosão da revolução. A Carta Constitucional de 1826 (cartismo), outorgada por D. Pedro IV, era mais moderada e estabelecia um quarto poder (o Poder Moderador). A guerra civil entre liberais e absolutistas (1832-1834) terminou com a vitória liberal. Seguiu-se a instabilidade do setembrismo (defensor da Constituição de 1822) e do cabralismo (defensor da Carta). A legislação de Mouzinho da Silveira (extinção dos vínculos, desamortização) foi decisiva para a construção do novo ordenamento liberal.
O que foi a civilização industrial e como afetou a sociedade europeia estudado em História A no 11.º ano?
A civilização industrial, que se difundiu a partir de Inglaterra ao longo do século XIX, transformou radicalmente a economia e a sociedade. Economicamente, o capitalismo industrial substituiu a manufactura pela fábrica, criou novos setores (têxtil, siderurgia, transportes) e gerou o livre-cambismo. As crises cíclicas do capitalismo (sobreproducção, queda dos preços) eram características deste sistema. Socialmente, a explosão demográfica e o êxodo rural criaram uma nova sociedade de classes: a burguesia industrial e comercial assumiu o poder económico e político, surgindo também as classes médias. O proletariado — os trabalhadores assalariados das fábricas — viveu em condições difíceis, o que gerou o movimento operário e ideologias de contestação como o socialismo e o marxismo (Marx e Engels). O sufrágio universal e o demoliberalismo foram reivindicações crescentes ao longo do século XIX.
Como se caracteriza o caso português na civilização industrial estudado em História A no 11.º ano?
Portugal foi uma sociedade capitalista periférica — industrializou-se mais tarde e de forma mais limitada do que as potências europeias centrais (Inglaterra, França, Alemanha). A Regeneração (1850-1880), sob o impulso de Fontes Pereira de Melo, marcou o grande esforço de modernização: construção da rede de caminhos de ferro, telégrafos e estradas, e dinamização da atividade produtiva (fomento). No entanto, fatores como a escassez de carvão e ferro, a dependência financeira externa e a fraca procura interna limitaram o crescimento. Entre 1880 e 1914, Portugal viveu a dicotomia entre a crise financeira de 1880-90 e o surto industrial do final do século XIX. O esgotamento da monarquia constitucional — marcado pela instabilidade política, o endividamento e o ultimato inglês de 1890 — foi acompanhado pelo fortalecimento do movimento republicano, que culminou na implantação da República em 1910.
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