Ensino Secundário

Aprendizagens Essenciais de Geologia

12.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

A disciplina de Geologia do 12.º ano é uma opção anual do curso de Ciências e Tecnologias, organizada em três domínios que revisitam e aprofundam conteúdos de Biologia e Geologia do 10.º e 11.º anos. No primeiro domínio — Da Teoria da Deriva dos Continentes à Teoria da Tectónica de Placas — os alunos analisam os argumentos geofísicos, morfológicos, litológicos, paleontológicos, paleoclimáticos e geodésicos que sustentaram a proposta de Wegener, as críticas que recebeu e a forma como as evidências paleomagnéticas e a topografia dos fundos oceânicos conduziram à Teoria da Tectónica de Placas. Estudam ainda os modelos de dinâmica do manto, a isostasia, a formação de cadeias montanhosas e riftes (com simulações laboratoriais), e a relação entre a dinâmica da litosfera e a modelação das paisagens. No segundo domínio — A História da Terra e da Vida — trabalham o conceito de tempo geológico e as unidades cronostratigráficas e geocronológicas, elaboram perfis topográficos, geológicos e blocos-diagrama com cartas geológicas, e estudam a evolução e extinção dos seres vivos do Pré-Câmbrico ao Cenozoico. Realizam ainda atividades de campo com base na carta geológica 1:50 000 da região da escola, reconstituindo a sua evolução geológica local. No terceiro domínio — A Terra Ontem, Hoje e Amanhã — caracterizam paleoclimas e mudanças ambientais históricas, relacionam a dinâmica litosférica com as mudanças climáticas, discutem o impacto das atividades antropogénicas, analisam a exploração e contaminação dos recursos geológicos e inferem sobre os cenários climáticos para o século XXI. A disciplina integra obrigatoriamente dimensões teórica e prático-experimental, com forte ênfase em CTSA, interdisciplinaridade e desenvolvimento do pensamento crítico.

Conteúdos e temas

Da Teoria da Deriva dos Continentes à Teoria da Tectónica de Placas

  • Teoria da Deriva Continental de Wegener
    • Contexto histórico da proposta de Wegener e receção pela comunidade científica
    • Argumentos geofísicos: forma e encaixe dos continentes
    • Argumentos morfológicos: continuidade de cadeias montanhosas entre continentes separados
    • Argumentos litológicos: correspondência de formações rochosas em continentes separados
    • Argumentos paleontológicos: distribuição de fósseis dos mesmos organismos em continentes atualmente afastados
    • Argumentos paleoclimáticos: evidências de climas diferentes no passado geológico
    • Argumentos geodésicos: medições de distâncias entre continentes
    • Críticas à teoria: ausência de mecanismo explicativo para o movimento dos continentes
    • Articulação interdisciplinar: Física, Química, Biologia, Geografia
  • Teoria da Tectónica de Placas
    • Topografia dos fundos oceânicos: dorsais, fossas e plataformas continentais como evidências
    • Expansão dos fundos oceânicos: mecanismo e evidências paleomagnéticas (faixas magnéticas simétricas)
    • Teoria da Tectónica de Placas: modelo explicativo da dinâmica da litosfera
    • Modelos explicativos da dinâmica do manto e relação com o movimento das placas (correntes de convecção e outros modelos); articulação com a Física
    • Localização das grandes estruturas geológicas do planeta e sua relação com os limites de placas
    • Dinâmica da litosfera e grandes estruturas geológicas: movimentos horizontais e verticais
    • Movimentos verticais da crosta — isostasia: fatores que contribuem para a sua ocorrência; atividades práticas de simulação
    • Formação de cadeias montanhosas (colisão de placas) e riftes (afastamento de placas): simulação laboratorial com modelos; analogias e diferenças de escalas temporal e espacial
    • Contributos da dinâmica da litosfera para a modelação das paisagens
    • Debate sobre a natureza do conhecimento científico e a evolução dos conceitos geológicos
    • Atividades práticas: simulação da expansão dos fundos oceânicos e zonas de subducção; atividades laboratoriais, exteriores e entrevistas a especialistas

A História da Terra e da Vida

  • Tempo geológico
    • Conceito de tempo geológico: interpretação a partir de documentos diversos
    • Unidades cronostratigráficas e geocronológicas: equivalência e hierarquia (éon, era, período, época, idade / eão, era, período, época)
    • Elaboração de perfis topográficos e geológicos e blocos-diagrama com recurso a tabelas cronostratigráficas e cartas geológicas; articulação com a Matemática
  • Evolução da vida e grandes extinções
    • Aparecimento e evolução da vida no Pré-Câmbrico: primeiros organismos, atmosfera primitiva
    • Paleozoico: diversificação da vida, primeiros vertebrados, colonização dos ambientes terrestres
    • Mesozoico: domínio dos répteis, aparecimento das aves e dos mamíferos
    • Cenozoico: domínio dos mamíferos, aparecimento do género Homo
    • Grandes extinções em massa: causas e consequências ao longo da história da vida
    • Articulação com a Biologia: evolução e seleção natural no contexto geológico
  • Cartografia geológica aplicada
    • Principais acontecimentos da evolução paleogeográfica do planeta Terra ao longo do tempo geológico
    • Interpretação de uma carta geológica (1:50 000) e da sua notícia explicativa
    • Atividade de campo: principais características geológicas da região da escola
    • Evolução geológica da região da escola: leitura e interpretação da carta geológica
    • Aplicação de conceitos de cartografia geológica à região envolvente; articulação com Geografia e Matemática

A Terra Ontem, Hoje e Amanhã

  • Paleoclimas e mudanças ambientais históricas
    • Caracterização de paleoclimas: registos e proxies climáticos ao longo da história da Terra
    • Mudanças ambientais ocorridas ao longo da história da Terra: causas naturais e ciclos geológicos
    • Relação entre a dinâmica litosférica e as mudanças climáticas (vulcanismo, posição dos continentes, correntes oceânicas)
    • Elaboração e apresentação de artigo científico ou póster sobre mudanças ambientais históricas; articulação com Português, Inglês e Aplicações Informáticas B
  • Impacto humano e sustentabilidade geológica
    • Discussão sobre a possível relação entre atividades antropogénicas e mudanças ambientais atuais (aquecimento global, alterações climáticas)
    • Interpretação de informação diversificada sobre a exploração de recursos geológicos com recurso às TIC
    • Interpretação de dados experimentais relativos à contaminação de recursos geológicos; articulação com Matemática e Biologia
    • Formas de conciliar o desenvolvimento regional com a preservação dos recursos geoambientais: atividades práticas (pesquisa, laboratório, campo, debates, folhetos)
    • Inferência sobre cenários para o século XXI como consequência do aquecimento global e das mudanças ambientais

Competências transversais

Conhecedor/sabedor/culto/informado: selecionar e organizar informação de fontes diversas integrando saberes prévios; articular conhecimentos de Física, Química, Biologia, Geografia, Matemática e TIC; Criativo: formular hipóteses e predições; conceber modelos e simulações; expressar aprendizagens de forma criativa (imagens, texto, organizadores gráficos, pósteres, artigos científicos); Crítico/analítico: analisar factos e teorias; problematizar situações reais; elaborar opiniões fundamentadas; mobilizar discurso argumentativo oral e escrito sobre questões CTSA; Indagador/investigador: construir explicações científicas a partir de atividades práticas (laboratoriais, experimentais e de campo); planificar e realizar investigações; explorar acontecimentos históricos sobre a natureza do conhecimento científico; Comunicador: apresentar ideias e resultados com clareza; elaborar relatórios, artigos científicos e pósteres; Sistematizador/organizador: elaborar perfis topográficos, geológicos e blocos-diagrama; sintetizar e organizar informação pertinente; Responsável/autónomo: realizar atividades de campo e laboratoriais de forma autónoma; cumprir prazos e compromissos; Cuidador do ambiente: discutir o impacto antropogénico; propor soluções de sustentabilidade dos recursos geológicos; inferir cenários futuros; exercer cidadania científica responsável

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de Geologia — 12.º Ano (Ensino Secundário), Agosto 2018 — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em Geologia no 12.º ano?
Geologia do 12.º ano é uma disciplina anual de opção do curso de Ciências e Tecnologias, organizada em três domínios. No primeiro — Da Teoria da Deriva dos Continentes à Teoria da Tectónica de Placas — estudam-se os argumentos que sustentaram a proposta de Wegener, as evidências paleomagnéticas e a topografia dos fundos oceânicos que levaram à Teoria da Tectónica de Placas, bem como a dinâmica do manto, a isostasia e a formação de cadeias montanhosas e riftes. No segundo — A História da Terra e da Vida — trabalham-se o tempo geológico e as unidades cronostratigráficas, a cartografia geológica aplicada à região da escola, e a evolução e extinção dos seres vivos do Pré-Câmbrico ao Cenozoico. No terceiro — A Terra Ontem, Hoje e Amanhã — analisam-se os paleoclimas, as mudanças ambientais históricas e atuais, o impacto das atividades humanas e os cenários climáticos futuros.
Quais eram os argumentos de Wegener para a Deriva Continental e por que foi criticada?
Alfred Wegener propôs, no início do século XX, que os continentes já estiveram unidos num supercontinente (Pangeia) e se separaram ao longo do tempo. Para sustentar a sua teoria, apresentou argumentos de vários tipos: morfológicos (encaixe das margens continentais, em especial entre a América do Sul e a África), litológicos (continuidade de formações rochosas em continentes hoje separados), paleontológicos (distribuição de fósseis dos mesmos organismos em margens opostas do Atlântico), paleoclimáticos (evidências de climas muito diferentes dos atuais em determinadas regiões) e geodésicos (medições de distâncias entre continentes). A teoria foi duramente criticada porque Wegener não conseguiu propor um mecanismo físico credível capaz de mover massas continentais através do fundo oceânico.
O que são evidências paleomagnéticas e como apoiam a Teoria da Tectónica de Placas?
As evidências paleomagnéticas resultam do registo da orientação do campo magnético terrestre nos minerais ferromagnéticos das rochas quando estas se formam. Nos fundos oceânicos, a rocha basáltica criada nas dorsais apresenta faixas magnéticas simétricas em relação ao eixo da dorsal — metade com magnetização normal e metade com magnetização inversa, correspondendo a períodos de inversão do campo magnético terrestre. Esta simetria comprova que o fundo oceânico se expande a partir das dorsais e que as placas se afastam, constituindo uma das provas mais sólidas da Teoria da Tectónica de Placas.
O que é a isostasia e que papel tem na dinâmica da litosfera?
A isostasia é o fenómeno de equilíbrio gravitacional da litosfera sobre a astenosfera (parte plástica do manto). Tal como um iceberg flutua na água com uma parte emersa proporcional à sua densidade, os blocos crustais equilibram-se na astenosfera em função da sua espessura e composição. Este equilíbrio implica movimentos verticais da crosta: quando a carga sobre um bloco aumenta (por exemplo, pela deposição de sedimentos ou pelo crescimento de uma calote glaciar), a crosta afunda; quando a carga diminui (erosão ou fusão do gelo), a crosta sobe — processo designado por rebote isostático. No 12.º ano, este fenómeno é estudado através de atividades práticas de simulação.
Como se lê e interpreta uma carta geológica no 12.º ano de Geologia?
Uma carta geológica representa, sobre uma base topográfica, a distribuição à superfície dos diferentes tipos de rochas e estruturas geológicas (falhas, dobras, contactos). No 12.º ano, os alunos aprendem a interpretar cartas à escala 1:50 000 e a respetiva notícia explicativa, identificando as formações rochosas presentes na região da escola, a sua idade (com base na tabela cronostratigráfica), a sua disposição espacial e as estruturas tectónicas associadas. A partir dessas informações, reconstroem a história geológica local e elaboram perfis topográficos e geológicos e blocos-diagrama, articulando conhecimentos de Matemática e de Geografia.
Qual a relação entre a dinâmica litosférica e as mudanças climáticas estudada no 12.º ano?
No domínio 'A Terra Ontem, Hoje e Amanhã', os alunos analisam como processos geológicos internos influenciam o clima a longo prazo. O vulcanismo em grande escala liberta CO₂ e SO₂ para a atmosfera, podendo provocar aquecimento ou arrefecimento globais. A posição dos continentes (deriva continental) altera as correntes oceânicas e a circulação atmosférica, condicionando os padrões climáticos. A orogenia (formação de cadeias montanhosas) influencia a erosão química e, por consequência, o ciclo do carbono. Estes mecanismos naturais são depois contrapostos ao impacto das atividades antropogénicas atuais, discutindo-se os possíveis cenários climáticos para o século XXI.
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