2.º Ciclo

Aprendizagens Essenciais de História e Geografia de Portugal

6.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

As Aprendizagens Essenciais de História e Geografia de Portugal do 6.º ano (2.º Ciclo do Ensino Básico) completam o percurso iniciado no 5.º ano, abordando a evolução histórica e geográfica de Portugal desde o século XVIII até à atualidade e a realidade geográfica do Portugal contemporâneo, articulando sempre as dimensões histórica e geográfica numa perspetiva intradisciplinar e interdisciplinar. No domínio Portugal do Século XVIII ao Século XIX, os alunos estudam a importância do Brasil colonial para a economia portuguesa, o comércio de escravos, a organização da sociedade de ordens, o absolutismo de D. João V, as reformas do Marquês de Pombal, as três invasões napoleónicas, a revolução liberal de 1820 e a Constituição de 1822, a guerra civil entre absolutistas e liberais, a industrialização oitocentista nas zonas de Lisboa e Porto, as migrações internas e para outros continentes, o surgimento do operariado e a abolição da escravatura e da pena de morte. No domínio Portugal do Século XX, estudam a revolução republicana de 1910 e a Constituição de 1911, o Estado Novo com a sua censura, polícia política e repressão sindical, a guerra colonial, e a Revolução do 25 de Abril de 1974 e o processo de democratização até 1982. No domínio Portugal Hoje, analisam a distribuição e os fenómenos demográficos da população portuguesa, as diferenças entre espaços rurais e urbanos, os problemas sociais e ambientais do território nacional, os setores de atividade económica, as atividades de lazer e turismo, as áreas de proteção ambiental e a relação com os ODS, os diferentes modos de transporte e a importância das telecomunicações e da globalização. No final do ciclo, o aluno é capaz de reconhecer a identidade espácio-temporal de Portugal nos seus aspetos mais relevantes.

Conteúdos e temas

Portugal do Século XVIII ao Século XIX

  • Portugal no século XVIII
    • Evidenciar a importância do Brasil para a economia portuguesa, nomeadamente enquanto centro de exploração de ouro e de outros recursos naturais e recetáculo de produtos manufaturados
    • Relacionar os movimentos migratórios livres e forçados (comércio de escravos) com a cultura do açúcar e com a exploração mineira
    • Evidenciar a importância da introdução de novas culturas como a batata e o milho para a melhoria da dieta e para o aumento populacional em Portugal
    • Compreender a organização da sociedade de ordens, sabendo identificar os diferentes grupos sociais
    • Reconhecer em D. João V um rei absoluto, ressaltando manifestações do seu poder (fausto da Corte, cerimónias públicas e construções monumentais)
    • Demonstrar a importância do legado africano nas sociedades portuguesa e brasileira
    • Caracterizar a ação centralizadora do Marquês de Pombal e o carácter inovador de algumas das suas políticas, nomeadamente na organização do espaço urbano
  • O triunfo do liberalismo
    • Identificar e localizar as três invasões napoleónicas, realçando a resistência das populações, o carácter destrutivo da guerra e o impacto da participação inglesa
    • Analisar a ligação entre a revolução de 1820, o descontentamento face à tutela inglesa e à permanência da Corte no Brasil
    • Compreender que a Constituição de 1822 significou uma rutura relativamente ao absolutismo, ao estabelecer os princípios fundamentais do liberalismo
    • Relacionar a guerra civil com a divisão do país entre defensores do absolutismo e defensores do liberalismo
  • Portugal na segunda metade do século XIX
    • Relacionar o desenvolvimento da produção industrial nas zonas de Lisboa/Setúbal e Porto/Guimarães com as inovações tecnológicas (energia a vapor e caminho de ferro)
    • Explicar as migrações oitocentistas (para outros continentes e dos campos para as cidades), relacionando-as com o crescimento populacional e com a industrialização
    • Referir o aparecimento do operariado, a progressiva perda de privilégios da nobreza e a ascensão da burguesia
    • Analisar o processo que desembocou na abolição da escravatura e da pena de morte

Portugal do Século XX

  • A revolução Republicana
    • Explicar como o desgaste da monarquia constitucional conduziu à revolução republicana
    • Analisar princípios da Constituição de 1911 característicos de um regime republicano
    • Identificar medidas governativas da 1.ª República relacionadas com a educação e com os direitos dos trabalhadores
  • Os anos de ditadura
    • Sintetizar as principais características do Estado Novo (ausência de liberdade individual, censura, polícia política, repressão do movimento sindical, partido único)
    • Relacionar a guerra colonial com a noção de império no contexto do Estado Novo
  • O 25 de Abril e a construção da democracia
    • Reconhecer os motivos que conduziram à revolução do 25 de Abril, bem como algumas das mudanças operadas
    • Caracterizar o essencial do processo de democratização entre 1975 e 1982

Portugal Hoje

  • A população portuguesa
    • Analisar a distribuição de diferentes fenómenos relacionados com a população utilizando diferentes formas de representação cartográfica
    • Comparar a distribuição de diferentes indicadores demográficos à escala nacional, estabelecendo relações de causalidade e de interdependência
    • Explicar a ação de fatores naturais e humanos na distribuição da população e do povoamento no território nacional (áreas atrativas e áreas repulsivas)
    • Aplicar as TIC e as TIG para localizar e conhecer as características e a distribuição dos fenómenos demográficos
  • Os lugares onde vivemos
    • Comparar o espaço rural com o espaço urbano em Portugal, enunciando diferenças ao nível das atividades económicas, ocupação dos tempos livres, tipo de construções e modos de vida
    • Elaborar pesquisas documentais sobre problemas da vida quotidiana (pobreza, envelhecimento, despovoamento) das áreas rurais e urbanas
    • Identificar fatores responsáveis pela ocorrência de problemas sociais e ações a empreender para os solucionar ou mitigar
    • Reconhecer características ambientais, sociais, culturais e paisagísticas que conferem identidade a Portugal
  • As atividades económicas que desenvolvemos
    • Caracterizar os principais setores de atividade económica e a evolução da distribuição da população por setores, à escala local e nacional
    • Utilizar diferentes formas de representação cartográfica na análise da distribuição das atividades económicas
    • Mobilizar as TIC e as TIG para localizar e conhecer as características e a distribuição das atividades económicas
  • Como ocupamos os tempos livres
    • Exemplificar a importância do lazer e das diferentes formas de turismo em Portugal
    • Localizar as principais áreas de proteção ambiental em Portugal em diferentes representações cartográficas
    • Identificar fatores responsáveis por problemas ambientais que afetam o território nacional
    • Exemplificar ações para solucionar ou mitigar problemas ambientais, relacionando-os com os ODS
  • O Mundo mais perto de nós
    • Comparar as vantagens e desvantagens da utilização dos diferentes modos de transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo, aéreo e fluvial)
    • Relacionar a distribuição das redes de transporte com a distribuição da população e das atividades económicas
    • Discutir a importância do desenvolvimento das telecomunicações nas atividades humanas e na qualidade de vida, dando exemplos concretos referentes à situação em Portugal
    • Aplicar as TIC e as TIG para localizar e conhecer as características e a distribuição das redes de transporte

Competências transversais

Competências específicas transversais ao 2.º ciclo: utilizar referentes de tempo e de unidades de tempo histórico (antes de, depois de, milénio, século, ano, era); localizar em representações cartográficas de diversos tipos os locais e/ou fenómenos históricos referidos; localizar em representações cartográficas diversos espaços e territórios que dão identidade ao aluno, utilizando diferentes escalas e mobilizando informação georreferenciada; identificar fontes históricas de tipologia diferente; aprender a utilizar conceitos operatórios e metodológicos das áreas disciplinares de História e de Geografia; estabelecer relações entre as formas de organização do espaço português e os elementos naturais e humanos em cada época histórica e na atualidade; conhecer episódios da História regional e local, valorizando o património histórico e cultural da região/local onde habita/estuda; reconhecer a ação de indivíduos e de grupos em todos os processos históricos e de desenvolvimento sustentado do território; desenvolver a sensibilidade estética; promover o respeito pela diferença, reconhecendo e valorizando a diversidade étnica, ideológica, cultural e sexual; valorizar a dignidade humana e os direitos humanos; Conhecedor/sabedor/culto/informado: organizar de forma sistematizada a leitura e o estudo autónomo; analisar factos e situações selecionando elementos ou dados históricos e geográficos; recolher e selecionar dados de fontes históricas fidedignas; reconhecer que os processos históricos são compostos por etapas; mobilizar as TIC e as TIG (Google Earth, Pordata) para representar informação histórica e geográfica; valorizar o património histórico e geográfico; Criativo: mobilizar conhecimento adquirido em situações históricas e geográficas específicas; formular hipóteses sustentadas em evidências face a acontecimentos ou processos históricos e/ou geográficos; propor alternativas de interpretação a situações-problema em Geografia; criar objetos, mapas, esquemas conceptuais e textos face a desafios; promover a multiperspetiva em História num quadro de desenvolvimento pessoal e autónomo; Crítico/Analítico: mobilizar o discurso oral e escrito argumentativo; expressar tomadas de posição com argumentos e contra-argumentos; organizar debates com sustentação de afirmações e elaboração de opiniões; organizar o discurso com recurso a conceitos operatórios e metodológicos de História e de Geografia; analisar fontes escritas históricas com diferentes pontos de vista; problematizar situações; Respeitador da diferença/do outro: aceitar e argumentar diversos pontos de vista; interagir com os outros no respeito pela diferença e pela diversidade; confrontar ideias e perspetivas históricas e geográficas distintas; Sistematizador/organizador: realizar tarefas de pesquisa histórica e geográfica com autonomia progressiva; executar tarefas de síntese através de mapas de conceitos, textos e cartografia; registar seletivamente dados históricos e geográficos; Questionador: colocar questões-chave e questionar terceiros; questionar conhecimentos prévios; Comunicador: comunicar uni, bi e multidirecionalmente; responder, apresentar e mostrar iniciativa; questionar de forma organizada; Autoavaliador: autoavaliar as aprendizagens adquiridas, comportamentos e atitudes; aceitar críticas construtivamente; Participativo/colaborador: colaborar com pares e professores; apoiar o trabalho colaborativo; intervir de forma solidária; Responsável/autónomo: assumir responsabilidades nas tarefas, atitudes e comportamentos; assumir e cumprir compromissos; apresentar trabalhos com auto e heteroavaliação

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de História e Geografia de Portugal — 6.º Ano (2.º Ciclo do Ensino Básico), Julho de 2018 — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se aprende em História e Geografia de Portugal no 6.º ano?
Em HGP no 6.º ano, os alunos percorrem dois grandes blocos. No bloco histórico, estudam Portugal desde o século XVIII até à atualidade: a economia do Brasil colonial, as reformas do Marquês de Pombal, as invasões napoleónicas, o liberalismo e a guerra civil, a industrialização do século XIX, a revolução republicana de 1910, o Estado Novo com a sua censura e repressão, a guerra colonial e a Revolução do 25 de Abril de 1974 e o processo de democratização. No bloco geográfico (Portugal Hoje), analisam a distribuição da população, as diferenças entre espaços rurais e urbanos, os setores económicos, o lazer e o turismo, as áreas protegidas, os transportes e as telecomunicações.
O que foi o Estado Novo estudado em HGP no 6.º ano?
O Estado Novo foi o regime político autoritário que governou Portugal durante décadas até à Revolução do 25 de Abril de 1974. Os alunos estudam as suas principais características: a ausência de liberdade individual, a existência de censura e de polícia política, a repressão do movimento sindical e a existência de um partido único. Estudam também a relação entre o Estado Novo e a noção de império, materializada na guerra colonial travada em África, que foi uma das causas do colapso do regime.
O que foi o 25 de Abril e o que mudou em Portugal?
O 25 de Abril de 1974 foi a revolução que pôs fim ao Estado Novo e iniciou a transição para a democracia em Portugal. Os alunos reconhecem os motivos que conduziram à revolução e caracterizam o essencial do processo de democratização entre 1975 e 1982, que incluiu a descolonização dos territórios africanos, a instituição do direito de voto universal, a criação de autarquias (câmaras municipais e juntas de freguesia) e a integração de Portugal em organismos internacionais como a ONU e, posteriormente, a UE.
O que se estuda sobre a população portuguesa em HGP no 6.º ano?
No domínio Portugal Hoje, os alunos analisam a distribuição da população no território nacional usando representações cartográficas e as TIG. Comparam indicadores demográficos como o crescimento natural, o saldo migratório, a esperança de vida à nascença, a mortalidade infantil, o envelhecimento da população e a densidade populacional. Identificam as áreas atrativas e as áreas repulsivas do território, explicando a ação de fatores naturais e humanos na distribuição da população e do povoamento.
O que se aprende sobre transportes e globalização em HGP no 6.º ano?
No subtema O Mundo mais perto de nós, os alunos comparam as vantagens e desvantagens dos diferentes modos de transporte (rodoviário, ferroviário, marítimo, aéreo e fluvial), relacionam a distribuição das redes de transporte com a distribuição da população e das atividades económicas, e discutem a importância do desenvolvimento das telecomunicações na qualidade de vida. São trabalhados os conceitos de distância-tempo, distância-custo, acessibilidade e globalização, com exemplos concretos referentes à situação em Portugal.
Qual a diferença entre HGP no 5.º e no 6.º ano?
No 5.º ano, o estudo de HGP incide na Península Ibérica (localização, quadro natural e primeiros povos) e na história de Portugal até à Restauração de 1640. No 6.º ano, a disciplina avança para o período moderno e contemporâneo — do século XVIII ao século XX — e acrescenta um bloco de Geografia atual (Portugal Hoje) que analisa a realidade demográfica, económica, ambiental e de transportes do Portugal contemporâneo. No final do 6.º ano, o aluno conclui o 2.º ciclo com uma visão diacrónica completa da história e da identidade espácio-temporal de Portugal.
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