Plano de Formação 2027: quando e como preparar

Um método em oito passos para passar das necessidades da equipa a um plano aprovado, com calendário e orçamento. No fim, um exemplo completo para uma empresa de 25 trabalhadores.

Atualizado em novembro de 2026Leitura de 9 minutos

Resposta curta

Prepare o plano no último trimestre de 2026 e aprove-o até ao fim de dezembro, seguindo oito passos: rever o ano anterior, diagnosticar necessidades, definir prioridades, escolher as ações, calendarizar as horas, orçamentar, consultar os trabalhadores e acompanhar a execução.

Numa pequena ou média empresa, o processo completo leva entre quatro e oito semanas.

Quando preparar

O ideal é começar em outubro ou novembro de 2026. Assim o plano entra na discussão do orçamento do próximo ano, há tempo para os 15 dias de consulta aos trabalhadores e as 40 horas de formação podem ser distribuídas por todo o ano de 2027, em vez de se concentrarem no fim.

Se ainda não começou, não é tarde: um plano simples aprovado em janeiro continua a ser muito melhor do que nenhum. O calendário mês a mês e as regras legais estão explicados no guia Quando devem as empresas preparar o plano de formação de 2027?

Como preparar o plano, passo a passo

  1. Reveja o que aconteceu em 2026

    Antes de planear o próximo ano, confirme o ponto de partida: quantas horas de formação teve cada trabalhador, que ações correram bem e quais ficaram por fazer.

    Atenção às horas em atraso. As horas não asseguradas até ao fim dos dois anos seguintes transformam-se em crédito de horas do trabalhador. Quem tem horas em falta deve ter prioridade em 2027.

  2. Faça o diagnóstico de necessidades

    O plano deve partir das necessidades reais de qualificação. As fontes mais úteis são:

    • as avaliações de desempenho e as conversas com as chefias;
    • um questionário curto aos trabalhadores sobre o que sentem que lhes falta;
    • as mudanças previstas para 2027: novo software, equipamentos, funções ou regras;
    • as reclamações de clientes, os erros recorrentes e os indicadores que não estão a correr bem;
    • a formação exigida por lei ou pela atividade, como segurança e saúde no trabalho.
  3. Defina prioridades e objetivos

    Raramente é possível fazer tudo. Ordene as necessidades pelo impacto no negócio e pelo número de pessoas abrangidas, e escreva para cada uma um objetivo concreto. "Reduzir os erros de faturação" é um objetivo; "melhorar o Excel" ainda não é.

  4. Escolha as ações, o formato e a entidade formadora

    Transforme cada prioridade numa ação de formação: tema, duração, destinatários e formato (presencial, online ou misto). Decida o que pode ser dado internamente e o que deve ser contratado.

    Peça propostas cedo. Uma entidade formadora certificada pode propor duração, formato e calendário para cada ação, o que adianta os passos seguintes.

  5. Calendarize e distribua as 40 horas

    Coloque as ações no calendário de 2027 e confirme que cada trabalhador chega às 40 horas. Evite os meses de maior trabalho e prefira várias ações curtas a uma única ação longa: a aprendizagem é melhor e as equipas não ficam paradas.

  6. Faça o orçamento

    Some o custo das ações contratadas, de salas e materiais, e de deslocações, se houver. Inclua também o custo indireto das horas que os trabalhadores passam em formação. Com estes números, o plano entra na discussão do orçamento de 2027.

  7. Consulte os trabalhadores e aprove o plano

    Dê a conhecer o diagnóstico e o projeto de plano aos trabalhadores e aos seus representantes, que têm 15 dias para emitir parecer. Integre as sugestões que fizerem sentido, aprove a versão final e comunique as primeiras datas.

  8. Execute, registe e avalie

    Durante o ano, guarde sumários, presenças e certificados de cada ação. Faça um ponto de situação a meio do ano para corrigir desvios e, no fim, avalie se os objetivos foram atingidos. Estes registos são a base do Anexo C do Relatório Único e do plano de 2028.

Exemplo: plano para uma empresa de 25 trabalhadores

Uma empresa de distribuição com quatro grupos de trabalhadores: 6 administrativos, 10 comerciais, 5 operacionais de armazém e 4 chefias. O diagnóstico apontou quatro prioridades: reduzir erros na faturação, melhorar o atendimento, organizar melhor o armazém e preparar as chefias para gerir equipas.

Plano de formação 2027 (exemplo)
AçãoDestinatáriosHorasFormatoQuando
Segurança e saúde no trabalhoTodos (25)8 hPresencial1.º trimestre
Excel avançadoAdministrativos e chefias (10)16 hOnline1.º trimestre
Ferramentas de IA no dia a diaTodos (25)8 hOnline2.º trimestre
Técnicas de venda e atendimentoComerciais (10)16 hPresencial2.º trimestre
Gestão lean e organização do armazémOperacionais e chefias (9)16 hPresencial2.º trimestre
Comunicação e gestão de reclamaçõesAdministrativos e comerciais (16)8 hOnline3.º trimestre
Liderança e motivação de equipasChefias (4)16 hPresencial3.º trimestre
Operação segura de equipamentos (interna)Operacionais (5)8 hPresencial4.º trimestre

Com este plano, todos os grupos chegam pelo menos às 40 horas anuais:

  • Administrativos 40 h

    Segurança, Excel, IA e reclamações

  • Comerciais 40 h

    Segurança, IA, vendas e reclamações

  • Operacionais 40 h

    Segurança, IA, lean e equipamentos

  • Chefias 64 h

    Segurança, Excel, IA, lean e liderança

Repare que as ações estão espalhadas pelos quatro trimestres, misturam formatos e juntam grupos diferentes quando o tema é comum. É isso que mantém o plano realista e o custo controlado.

O que deve ficar escrito no plano

A lei exige que o plano indique os objetivos, as entidades formadoras, as ações de formação, o local e o horário. Na prática, um documento simples com uma linha por ação resolve: basta acrescentar à tabela do exemplo os objetivos, a entidade formadora, o local e o horário de cada ação.

Guarde junto ao plano o diagnóstico de necessidades e os pareceres recebidos na consulta. São os documentos que mostram como o plano foi construído.

Plano anual ou plurianual?

A lei permite as duas opções. Um plano anual é mais simples e adapta-se bem a empresas pequenas ou com necessidades que mudam muito. Um plano plurianual, de dois ou três anos, faz sentido quando há projetos longos, como uma transformação digital ou a certificação de qualidade.

Se optar pelo plurianual, reveja-o todos os anos com base no que foi feito e nas novas necessidades.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a preparar um plano de formação?

Numa pequena ou média empresa, entre quatro e oito semanas, incluindo os 15 dias de consulta aos trabalhadores. O diagnóstico de necessidades é a parte que mais tempo exige.

Quem deve preparar o plano de formação?

Normalmente os recursos humanos ou a direção, com a participação das chefias de cada equipa. Em empresas pequenas, pode ser o próprio gerente, com o apoio de uma entidade formadora.

A formação dada internamente conta para as 40 horas?

Pode contar. A formação contínua pode ser assegurada pelo próprio empregador ou por uma entidade formadora certificada. Em qualquer caso, convém registar os conteúdos, as horas e as presenças, e emitir um certificado ou comprovativo.

O plano de formação tem de ser enviado a alguma entidade?

Não há obrigação de enviar o plano. A formação realizada é declarada no Anexo C do Relatório Único, e o plano deve estar disponível na empresa caso seja pedido numa inspeção.

A formação online conta para as 40 horas?

Sim, desde que seja formação contínua relevante para a atividade do trabalhador e fique devidamente registada, com horas, conteúdos e participação.

Nota informativa: este guia tem caráter geral e não dispensa a consulta da legislação em vigor, nomeadamente do Código do Trabalho e da Lei n.º 105/2009, nem o aconselhamento jurídico adequado à situação concreta de cada empresa. O exemplo apresentado é ilustrativo.

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