3.º Ciclo

Aprendizagens Essenciais de História

8.º Ano

Última atualização: 30 de junho de 2026

Resumo

História do 8.º ano abrange um arco cronológico dos séculos XV ao XIX, organizado em quatro grandes temas. Em Expansão e Mudança nos Séculos XV e XVI, os alunos estudam as motivações e etapas da expansão portuguesa (expansão henriquina, D. João II, Tratado de Tordesilhas), a conquista espanhola nas Américas, as civilizações de África, América e Ásia, as formas de exploração colonial em África, na Índia e no Brasil, o tráfico de escravos, as rotas intercontinentais, e o Renascimento e a Reforma Protestante. Em Portugal no Contexto Europeu dos Séculos XVII e XVIII, analisam a crise do império português e a ascensão das potências coloniais rivais, a União Ibérica e a Restauração, o Antigo Regime (absolutismo e sociedade de ordens), o projeto pombalino e o Iluminismo. Em Crescimento e Ruturas no Mundo Ocidental nos Séculos XVIII e XIX, estudam a revolução agrícola, o arranque da revolução industrial em Inglaterra, a independência dos EUA, a Revolução Francesa e o conceito moderno de cidadania, e a revolução liberal portuguesa (Constituição de 1822, Carta Constitucional de 1826, guerra civil e independência do Brasil). Em O Mundo Industrializado no Século XIX, analisam as transformações económicas e sociais da industrialização, o aparecimento do proletariado e dos movimentos operários (socialismo, marxismo, sindicalismo), as novas correntes culturais (romantismo, realismo, impressionismo) e o caso português da Regeneração. Transversalmente, os alunos desenvolvem competências de interpretação de fontes históricas, localização cartográfica, pensamento crítico, comunicação histórica e aplicação de conceitos operatórios e metodológicos da disciplina.

Conteúdos e temas

Expansão e Mudança nos Séculos XV e XVI

  • A abertura ao mundo
    • Condições e motivações da expansão portuguesa: papel do poder régio e dos diversos grupos sociais
    • Rumos e etapas principais da expansão henriquina
    • Política expansionista de D. João II e Tratado de Tordesilhas: estratégia ibérica de partilha de espaços coloniais
    • Conquista e ocupação espanholas na América Central e do Sul
    • Principais civilizações de África, América e Ásia à chegada dos europeus
    • Formas de ocupação e exploração económica de Portugal em África, Índia e Brasil: especificidades de cada região
    • Submissão violenta de povos e tráfico de seres humanos como realidade da expansão
    • Rotas intercontinentais e principais centros distribuidores de produtos ultramarinos
    • Novas rotas de comércio intercontinental: base do poder naval português; circulação de pessoas e produtos; influência nos hábitos culturais
    • Conceitos: navegação astronómica; colonização; capitão-donatário; império colonial; mare clausum; monopólio comercial; feitoria; tráfico de escravos; aculturação/encontro de culturas; missionação; globalização
  • Renascimento e Reforma
    • Renovação cultural dos séculos XV e XVI e o papel do mecenato
    • Desenvolvimento de novos valores e atitudes; papel da imprensa na sua disseminação
    • Inspiração clássica da arte renascentista e especificidades do estilo manuelino
    • Movimento de insatisfação e crítica na Cristandade ocidental que culminou na rutura religiosa
    • Princípios ideológicos que separam o protestantismo do catolicismo
    • Manifestações de intolerância na reforma protestante e na contrarreforma; o caso da Península Ibérica
    • Conceitos: humanismo; renascimento; mecenato; geocentrismo/heliocentrismo; teocentrismo/antropocentrismo; arte renascentista; manuelino; naturalismo; reforma protestante/contrarreforma; dogma; individualismo; cristão-novo

Portugal no Contexto Europeu dos Séculos XVII e XVIII

  • O império português e a concorrência internacional
    • Fatores e manifestações de crise no império português a partir de meados do século XVI
    • Ascensão de outros impérios coloniais: Holanda, França e Inglaterra
    • União Ibérica: confluência de interesses dos grupos dominantes nos dois estados
    • Restauração de 1640: divergência de interesses da sociedade portuguesa relativamente às políticas imperiais espanholas
    • Conceitos: mare liberum; capitalismo comercial; bolsa de valores; companhia de comércio; comércio triangular; Restauração
  • O Antigo Regime no século XVIII
    • Absolutismo: relação com a manutenção da sociedade de ordens e com as opções mercantilistas
    • Ritmos de evolução da agricultura vs. dinamismo comercial numa economia pré-industrial
    • Projeto pombalino: elementos de mudança política, social e económica
    • Conceitos: Antigo Regime; sociedade de ordens; absolutismo; mercantilismo; manufatura
  • A cultura em Portugal no contexto europeu
    • Arte e mentalidade barrocas
    • Avanços na ciência e na técnica: desenvolvimento do método científico
    • Filosofia das Luzes: novas propostas sociais e políticas
    • Urbanismo pombalino e afirmação do poder absoluto
    • Ação dos estrangeirados e do Marquês de Pombal no contexto do pensamento iluminista
    • Conceitos: barroco; revolução científica; racionalismo; iluminismo; estrangeirado; separação de poderes; soberania popular; direitos humanos

Crescimento e Ruturas no Mundo Ocidental nos Séculos XVIII e XIX

  • A revolução agrícola e o arranque da revolução industrial
    • Relação entre novas tendências demográficas, transformação da estrutura da propriedade agrícola e inovações técnicas
    • Condições que favoreceram o arranque da revolução industrial; alterações no regime de produção
    • Conceitos: revolução agrícola; enclosure; explosão demográfica; êxodo rural; revolução industrial; maquinofatura
  • O triunfo das revoluções liberais
    • Independência dos EUA: primeiro processo de independência de um território colonial europeu
    • Revolução Francesa: abolição dos direitos e privilégios feudais; conceito moderno de cidadania; princípio da igualdade perante a lei
    • Conquistas da revolução francesa para o liberalismo; ligações com o caso português
    • Revolução liberal portuguesa: causas e propostas políticas — Constituição de 1822, Carta Constitucional de 1826 e resistência absolutista
    • Independência do Brasil no contexto do processo revolucionário liberal português
    • Fim do Antigo Regime e estabelecimento da nova ordem liberal e burguesa em Portugal; guerra civil
    • Conceitos: liberalismo; Constituição; cidadania; carta constitucional; sufrágio censitário/sufrágio universal; monarquia constitucional/estado federal/república

O Mundo Industrializado no Século XIX

  • Transformações económicas, sociais e culturais
    • Principais potências industrializadas no século XIX; revolução dos transportes e mundialização da economia
    • Alterações económicas, sociais e demográficas decorrentes do desenvolvimento dos meios de produção
    • Condições de vida e trabalho do operariado; aparecimento dos movimentos reivindicativos e da ideologia socialista
    • Novas correntes culturais e artísticas em relação com as transformações da revolução industrial e a confiança no conhecimento científico
    • Conceitos: capitalismo industrial e financeiro; liberalismo económico; mercado nacional; classes médias; proletariado; marxismo; socialismo; comunismo; sindicalismo; romantismo; realismo; impressionismo
  • O caso português no século XIX
    • Política económica da Regeneração: investimento em infraestruturas de transporte; impacto no desenvolvimento da agricultura e da industrialização
    • Emigração portuguesa na segunda metade do século XIX: dificuldades dos pequenos produtores rurais; enquadramento nas migrações europeias do período
    • Aparecimento e desenvolvimento do operariado português
    • Conceito: Regeneração

Competências transversais

Consolidar referentes de tempo e unidades de tempo histórico (milénio, século, era) e localizar em representações cartográficas locais e eventos históricos; Interpretar fontes históricas de tipologia diversa (escritas, iconográficas, cartográficas, estatísticas) para construção da evidência histórica; Compreender contextualizadamente as realidades históricas: estabelecer relações de causalidade e consequência; identificar continuidades e ruturas no processo histórico; Comunicar em História: organizar o discurso oral e escrito com conceitos operatórios e metodológicos da disciplina; elaborar narrativas históricas, sínteses e relatórios; Pensamento crítico: analisar fontes com diferentes pontos de vista; mobilizar discurso argumentativo; promover a multiperspetiva em História; Indagação e investigação: selecionar fontes fidedignas; pesquisar e recolher dados de forma autónoma; formular hipóteses sustentadas em evidências; Reconhecer a importância dos valores de cidadania: respeitar a diferença étnica, ideológica, cultural e sexual; valorizar a dignidade humana e os direitos humanos; promover a biodiversidade; Valorizar o património histórico material e imaterial — regional, nacional e europeu; Articulação interdisciplinar com Geografia, Português, Inglês e outras disciplinas

Fonte oficial: Direção-Geral da Educação — Aprendizagens Essenciais de História — 8.º Ano (3.º Ciclo do Ensino Básico), Julho 2018 (Revisão Fevereiro 2022) — consultar o documento original (PDF)

Perguntas frequentes

O que se estuda em História no 8.º ano?
História do 8.º ano abrange um longo arco cronológico que vai dos séculos XV ao XIX, organizado em quatro temas. No primeiro — Expansão e Mudança nos Séculos XV e XVI — estudam-se a expansão portuguesa e espanhola, as civilizações de África, América e Ásia, as rotas intercontinentais, o Renascimento e a Reforma Protestante. No segundo — Portugal no Contexto Europeu dos Séculos XVII e XVIII — analisam-se a crise do império português, a concorrência colonial internacional, o Antigo Regime, o absolutismo, o projeto pombalino e o Iluminismo. No terceiro — Crescimento e Ruturas no Mundo Ocidental nos Séculos XVIII e XIX — estudam-se a revolução agrícola, o arranque da revolução industrial e as revoluções liberais (independência dos EUA, revolução francesa e revolução liberal portuguesa). No quarto — O Mundo Industrializado no Século XIX — analisam-se as transformações económicas e sociais da industrialização, o movimento operário e o socialismo, e o caso português da Regeneração.
Quais foram as principais motivações e etapas da expansão portuguesa estudadas no 8.º ano de História?
A expansão portuguesa foi impulsionada por motivações económicas (busca de novas rotas comerciais para produtos orientais, especialmente especiarias), religiosas (missionação e cruzada), políticas (afirmação do poder régio e da nobreza) e científicas (curiosidade geográfica e aperfeiçoamento da navegação). As etapas henriquinas começam com Ceuta (1415), prosseguem com a exploração sistemática da costa africana e chegam às ilhas atlânticas. Com D. João II, a estratégia centra-se na rota do Cabo, culminando na chegada à Índia por Vasco da Gama (1498). O Tratado de Tordesilhas (1494) divide o mundo entre Portugal e Espanha. Os alunos identificam as rotas, os feitoriais, as formas de colonização e o impacto do tráfico de escravos como parte desta realidade histórica.
O que foi o Renascimento e qual a sua relação com a Reforma Protestante estudados no 8.º ano?
O Renascimento foi um movimento cultural dos séculos XV e XVI que valorizou a herança clássica greco-romana, o antropocentrismo (o ser humano como centro do universo) em substituição do teocentrismo medieval, o naturalismo na arte e o racionalismo. Foi impulsionado pelo mecenato de príncipes e burgueses e difundido pela imprensa de Gutenberg. Em Portugal, o Renascimento adaptou-se às especificidades nacionais no estilo manuelino. A Reforma Protestante (séc. XVI), liderada por Martinho Lutero, surgiu de um movimento de insatisfação com a Igreja Católica, questionando dogmas e práticas (como as indulgências) e dando origem ao protestantismo. A Contrarreforma foi a resposta da Igreja Católica, com manifestações de intolerância como a Inquisição, especialmente intensa na Península Ibérica contra cristãos-novos.
O que foi o Iluminismo e qual o papel do Marquês de Pombal estudados no 8.º ano de História?
O Iluminismo foi uma corrente filosófica e cultural do século XVIII que defendia a razão, a ciência e o progresso como bases do conhecimento e da organização social, contestando o poder absoluto e a intolerância religiosa. Propôs a separação de poderes (Montesquieu) e a soberania popular (Rousseau). Em Portugal, o Marquês de Pombal foi o principal agente do chamado despotismo iluminado: expulsou os jesuítas, reformou o ensino e a economia, reconstruiu Lisboa após o terramoto de 1755 segundo princípios racionais (urbanismo pombalino) e fomentou companhias comerciais pombalinas. Os estrangeirados foram intelectuais portugueses que absorveram as ideias iluministas europeias e as trouxeram para Portugal.
Qual a importância das revoluções liberais estudadas no 8.º ano de História?
As revoluções liberais dos séculos XVIII e XIX representam a rutura com o Antigo Regime (absolutismo e sociedade de ordens) e a afirmação dos princípios de liberdade, igualdade e soberania popular. A independência dos EUA (1776) foi o primeiro processo de independência de um território colonial europeu. A Revolução Francesa (1789) aboliu os privilégios feudais e estabeleceu o conceito moderno de cidadania e igualdade perante a lei. Em Portugal, a Revolução Liberal de 1820 gerou a Constituição de 1822 (mais democrática) e a Carta Constitucional de 1826 (mais moderada), opondo liberais e absolutistas numa guerra civil (1832-1834). A independência do Brasil (1822) inseriu-se neste contexto liberal.
Como se relacionam a revolução industrial e os movimentos operários estudados no 8.º ano?
A revolução industrial, iniciada em Inglaterra no século XVIII e expandida ao longo do século XIX, transformou o modo de produção (da manufatura para a maquinofatura), gerou o êxodo rural, criou as classes operárias urbanas (proletariado) e originou o capitalismo industrial. As condições de trabalho eram muito duras — longas jornadas, salários baixos, trabalho infantil — o que levou ao aparecimento dos movimentos reivindicativos (sindicalismo) e de ideologias alternativas ao capitalismo liberal, como o socialismo e o marxismo (Karl Marx e Friedrich Engels). Em Portugal, a Regeneração (a partir de 1851) modernizou as infraestruturas (caminhos de ferro, telégrafos) mas o processo de industrialização foi mais lento, o operariado cresceu modestamente e a emigração foi uma resposta às dificuldades dos pequenos produtores rurais.
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