Desenvolvimento de competências nas equipas

Que competências priorizar, porque é que os cursos sozinhos não chegam, oito formas de aprender no trabalho e um gerador de planos individuais de desenvolvimento para usar com a sua equipa.

Atualizado em novembro de 2026Leitura de 8 minutos

Resposta curta

Ligue as competências a desenvolver aos objetivos da empresa e ao percurso de cada pessoa, e combine a formação com prática no trabalho, mentoria e feedback.

Um plano individual de desenvolvimento, curto e acordado com a chefia, transforma estas intenções em ações concretas com prazo.

Que competências desenvolver

As competências de uma equipa dividem-se em três grandes grupos. Um bom plano equilibra os três:

  • TécnicasSaber fazer o trabalhoConhecimentos específicos da função: processos, produtos, equipamentos, legislação do setor.
  • DigitaisTrabalhar com as ferramentasSoftware de gestão, folhas de cálculo, ferramentas colaborativas e, cada vez mais, inteligência artificial.
  • TransversaisTrabalhar bem com os outrosComunicação, organização, resolução de problemas, atendimento e, nas chefias, liderança.

Para decidir por onde começar, use o diagnóstico e a matriz de competências descritos no guia Como identificar as necessidades de formação.

Porque é que os cursos sozinhos não chegam

O modelo 70-20-10 é uma referência muito usada em desenvolvimento de pessoas. Sugere que a maior parte do que aprendemos vem da prática, e não da sala de formação:

As percentagens são indicativas: o modelo serve para lembrar o equilíbrio, não é uma regra exata.

Isto não diminui a formação: mostra que ela rende muito mais quando é seguida de tarefas que obrigam a aplicar o que se aprendeu e de alguém que acompanhe e dê feedback.

Oito formas de desenvolver competências

  • Formação formalCursos presenciais ou online, para conhecimentos novos e estruturados.
  • MentoriaUm colega experiente acompanha outro durante alguns meses, com encontros regulares.
  • Acompanhamento no postoObservar um colega a trabalhar e ser observado, com conversa no fim.
  • Rotação de funçõesPassar algum tempo noutra área para perceber o trabalho e ganhar polivalência.
  • Projetos desafiantesTarefas um pouco acima do nível atual, com apoio, que obrigam a aprender.
  • Partilha internaSessões curtas em que alguém da equipa ensina uma ferramenta ou um procedimento.
  • Comunidades de práticaGrupos de pessoas com a mesma função que trocam soluções e boas práticas.
  • Feedback regularConversas frequentes e concretas com a chefia sobre o que correu bem e o que melhorar.

E as 40 horas? Mentoria, partilha interna ou acompanhamento no posto podem contar como formação contínua quando organizados como formação: com objetivos, conteúdos, duração, formador identificado e registo de presenças.

Plano individual de desenvolvimento

Um plano individual de desenvolvimento (PID) cabe numa página. É acordado entre a chefia e o trabalhador, normalmente na conversa de avaliação de desempenho, e revisto a meio do ano. Preencha os campos para gerar um plano pronto a copiar:


          
        

Polivalência nas funções críticas

Uma equipa é tão forte quanto a tarefa que só uma pessoa sabe fazer. Faça uma lista das tarefas críticas da empresa e aplique uma regra simples: cada tarefa crítica deve ter pelo menos duas pessoas capazes de a fazer.

Onde só houver uma, há uma prioridade de desenvolvimento evidente. A forma mais rápida de a resolver costuma ser o acompanhamento no posto ou a mentoria pela pessoa que já domina a tarefa, com um registo simples dos passos.

Ligar ao desempenho e à carreira

  • Use a conversa de avaliação de desempenho para acordar o plano individual de desenvolvimento.
  • Mostre como as novas competências se ligam a novas responsabilidades ou funções.
  • Reconheça o progresso, mesmo que não haja mudança de função.
  • Meça os resultados com os níveis descritos no guia Estratégias de avaliação da formação.

Erros comuns

  1. Desenvolvimento só em salaCursos sem prática nem acompanhamento depois deixam pouco no trabalho do dia a dia.
  2. Planos iguais para todosCada pessoa parte de um ponto diferente. O plano tem de ser individual, mesmo que algumas ações sejam comuns.
  3. Esquecer as competências transversaisComunicação, organização e liderança decidem muitas vezes o desempenho tanto como as competências técnicas.
  4. Depender de uma só pessoaQuando o conhecimento crítico está numa única pessoa, qualquer ausência põe a empresa em risco.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre formação e desenvolvimento de competências?

A formação é uma das formas de desenvolver competências, normalmente organizada em ações com início e fim. O desenvolvimento de competências é mais amplo e inclui também a aprendizagem no próprio trabalho, a mentoria, os projetos e o feedback.

A mentoria e a aprendizagem no posto de trabalho contam para as 40 horas?

Podem contar quando estão organizadas como formação, com objetivos, conteúdos, duração definida, formador identificado e registo de presenças. A aprendizagem informal do dia a dia, embora valiosa, normalmente não conta.

O que é o modelo 70-20-10?

É um modelo de referência que sugere que a maior parte do desenvolvimento acontece na prática do trabalho, uma parte importante na relação com outras pessoas e uma parte menor em formação formal. Não é uma regra exata, mas lembra que a formação deve ser combinada com prática e acompanhamento.

O que é um plano individual de desenvolvimento?

É um documento curto, acordado entre a chefia e o trabalhador, que define que competências desenvolver, através de que ações, até quando e como se vai medir o progresso.

Nota informativa: este guia reúne recomendações gerais. O modelo 70-20-10 é uma referência indicativa. O gerador de planos não guarda nenhum dado: o texto fica apenas no seu navegador.

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