Candidatura internacional
Francês, alemão, espanhol, italiano, neerlandês, sueco, dinamarquês, norueguês, japonês, chinês, coreano. Os exames oficiais exigidos por universidades no estrangeiro — e como os preparar com a Da Vinci.
Línguas locais em universidades internacionais
Quando se fala em estudar no estrangeiro, muitos alunos pensam imediatamente em cursos lecionados em inglês e em exames como IELTS, TOEFL ou Cambridge. Mas essa é apenas uma parte da realidade.
Em muitos países, sobretudo em cursos de licenciatura, medicina, direito, psicologia, enfermagem, arquitectura, educação ou áreas com forte componente prática, a oferta continua a ser maioritariamente na língua nativa do país. Nestes casos, o aluno pode ter de provar que domina francês, alemão, espanhol, italiano, neerlandês, sueco, dinamarquês, norueguês, japonês, chinês ou coreano, dependendo do destino escolhido.
Isto significa que a escolha do país não deve ser feita apenas pela universidade ou pelo curso. Deve também ter em conta a língua de ensino, o nível exigido e o tempo necessário para preparar o exame adequado.
Uma universidade precisa de garantir que o estudante consegue acompanhar aulas, ler bibliografia, escrever trabalhos, fazer exames, participar em discussões, comunicar com professores e, em alguns cursos, interagir com pacientes, clientes, crianças, instituições ou empresas locais.
Por isso, quando o curso é lecionado na língua oficial do país, é habitual ser exigida uma prova formal de proficiência linguística. Em muitos casos, o nível mínimo situa-se entre B2 e C1, de acordo com o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas. O nível B2 indica autonomia na comunicação; o C1 já corresponde a um domínio avançado, mais adequado a contextos académicos exigentes.
A regra principal é simples: o aluno deve confirmar sempre os requisitos linguísticos na página oficial do curso e da universidade, porque os níveis exigidos podem variar muito entre países, áreas e instituições.
França
Para estudar em França em cursos lecionados em francês, os exames mais conhecidos são o DELF, o DALF, o TCF e, em alguns casos, o TEF.
O DELF certifica os níveis A1, A2, B1 e B2. Para acesso ao ensino superior, o nível mais relevante é normalmente o DELF B2.
O DALF certifica os níveis C1 e C2. O DALF C1 pode ser pedido por cursos mais exigentes, sobretudo em áreas com forte componente escrita, jurídica, literária, política ou científica.
O TCF, Test de Connaissance du Français, é um teste que avalia o nível de francês do candidato. Ao contrário do DELF/DALF, que são diplomas por nível, o TCF funciona como um teste de posicionamento e tem validade limitada. O France Éducation International indica que os diplomas DELF/DALF têm validade vitalícia e que os certificados TCF têm validade de dois anos.
Em processos de candidatura a instituições francesas, é comum ser pedido pelo menos um nível B2 de francês, embora alguns cursos possam exigir C1. O Campus France refere que candidatos internacionais são frequentemente chamados a apresentar DELF, DALF ou TCF, e que o nível B2 é muitas vezes a referência mínima para estudos em França.
Estes exames são normalmente realizados em centros oficiais autorizados, como Alliances Françaises, Instituts Français ou centros acreditados por France Éducation International.
Alemanha · Áustria · Suíça
Para estudar em alemão, o aluno terá geralmente de provar um nível elevado da língua. A Alemanha é muito procurada em áreas como Engenharia, Medicina, Ciências, Economia, Música, Artes, Psicologia e Direito, mas muitos cursos de licenciatura continuam a ser lecionados em alemão.
Os exames mais relevantes são:
É um dos exames mais utilizados por estudantes internacionais que querem entrar em universidades alemãs. Avalia leitura, compreensão oral, escrita e expressão oral. O Goethe-Institut descreve o TestDaF como um exame de nível avançado, entre B2 e C1, e a plataforma uni-assist refere que é aceite por todas as universidades alemãs como prova de proficiência linguística.
É a prova de alemão para acesso ao ensino superior, frequentemente organizada por universidades alemãs. Em muitos cursos, o nível DSH-2 é suficiente, mas alguns cursos muito exigentes podem pedir DSH-3.
É um exame pensado especificamente para acesso ao ensino superior. A telc indica que o certificado telc Deutsch C1 Hochschule é reconhecido pelas entidades alemãs relevantes para efeitos de entrada na universidade.
Os certificados do Goethe-Institut são muito reconhecidos internacionalmente. O Goethe-Zertifikat C1 certifica competências avançadas e o Goethe-Zertifikat C2 é reconhecido como prova de proficiência para estudos ou investigação na Alemanha, Áustria e Suíça.
Os exames de alemão podem ser feitos em Goethe-Instituts, centros telc autorizados, centros TestDaF licenciados ou directamente em algumas universidades, no caso do DSH.
Para cursos lecionados em alemão, o aluno deve contar, na prática, com a necessidade de atingir C1 ou equivalente.
Espanha · América Latina
Para cursos lecionados em espanhol, os exames mais conhecidos são o DELE e o SIELE.
O DELE, Diploma de Español como Lengua Extranjera, é o certificado oficial de espanhol atribuído pelo Instituto Cervantes em nome do Ministério da Educação espanhol. Os diplomas DELE seguem os níveis do Quadro Europeu Comum de Referência, de A1 a C2.
Uma grande vantagem do DELE é que tem validade indefinida. O Instituto Cervantes refere que os diplomas DELE têm validade permanente e reconhecimento internacional.
O SIELE é uma certificação mais flexível e digital, com resultados por pontuação e equivalência aos níveis do CEFR. Ao contrário do DELE, o SIELE tem validade de cinco anos.
Para entrar em universidades espanholas ou latino-americanas em cursos lecionados em espanhol, o nível pedido pode variar, mas em muitos casos o B2 é uma referência mínima razoável. Cursos como Direito, Psicologia, Medicina, Enfermagem, Educação ou Comunicação podem exigir maior domínio da língua, sobretudo pela componente oral e escrita.
Os exames DELE e SIELE são realizados em centros autorizados do Instituto Cervantes e em instituições parceiras.
Itália
Para estudar em italiano, sobretudo em licenciaturas ou cursos com forte integração local, as universidades podem pedir prova de proficiência em italiano.
Os exames mais conhecidos são:
Certificazione di Italiano come Lingua Straniera, associada à Università per Stranieri di Siena. A certificação CILS segue os níveis do CEFR, de A1 a C2.
Certificato di Conoscenza della Lingua Italiana, associado à Università per Stranieri di Perugia. O CELI certifica competências em italiano para estudo, trabalho e outros contextos.
Certificazione da Società Dante Alighieri, também usada para comprovar conhecimento da língua italiana.
Certificação de italiano associada à Università Roma Tre.
Para cursos em italiano, o nível B2 é frequentemente uma referência importante, embora algumas áreas possam pedir C1. O aluno deve confirmar sempre se a universidade aceita CILS, CELI, PLIDA, Cert.IT ou outro certificado específico.
Estes exames são realizados em institutos italianos de cultura, universidades, escolas de línguas e centros autorizados.
Países Baixos
Nos Países Baixos existem muitos cursos lecionados em inglês, especialmente ao nível de mestrado. No entanto, em algumas licenciaturas e áreas profissionais, como saúde, educação, direito ou cursos com prática local, o neerlandês pode ser necessário.
O exame mais relevante é o Staatsexamen Nederlands als tweede taal, conhecido como Staatsexamen NT2. Este exame tem dois programas: Programma I, ao nível B1, e Programma II, ao nível B2. Ambos avaliam leitura, escrita, compreensão oral e expressão oral.
Para estudos universitários em neerlandês, o Programma II, correspondente ao B2, é geralmente o mais relevante, mas a exigência concreta depende da universidade e do curso.
Suécia
Na Suécia, muitos cursos internacionais são lecionados em inglês, mas cursos em sueco exigem prova da língua. O exame mais importante para acesso ao ensino superior em sueco é o TISUS, Test in Swedish for University Studies.
A Universidade de Estocolmo descreve o TISUS como um teste de qualificação em sueco para estudos universitários na Suécia, reconhecido por todas as universidades suecas como prova de elegibilidade linguística.
O TISUS avalia competências ao nível avançado e inclui compreensão escrita, produção escrita e expressão oral. É especialmente relevante para alunos que pretendem estudar em sueco e que não fizeram o ensino secundário nesse idioma.
Dinamarca
Na Dinamarca, os cursos internacionais são frequentemente lecionados em inglês, mas cursos em dinamarquês exigem domínio da língua.
Para programas lecionados em dinamarquês, o portal Study in Denmark refere que o estudante deve provar um nível satisfatório de dinamarquês através do exame Danish as a Foreign Language, conhecido como Studieprøven i dansk som andetsprog, ou, em alguns casos, através de outros testes de dinamarquês.
Algumas universidades indicam requisitos mínimos específicos por componente. A Aarhus University, por exemplo, refere a necessidade de aprovação no Studieprøven com nota mínima em cada uma das quatro disciplinas.
Noruega
Na Noruega, muitos cursos internacionais de mestrado podem estar disponíveis em inglês, mas cursos lecionados em norueguês exigem prova de língua.
Entre os exames relevantes estão o Bergenstesten, oficialmente Test in Norwegian – Higher Level, e o Norskprøven, o teste norueguês para adultos imigrantes.
O Bergenstesten documenta competências em norueguês ao nível B2 ou C1, nas componentes oral e escrita, e pode ser usado para acesso a estudos e oportunidades profissionais na Noruega.
As autoridades norueguesas indicam diferentes formas de cumprir o requisito linguístico, incluindo provas de norueguês de nível superior e resultados B2 em componentes específicas.
Japão
Para cursos lecionados em japonês, o exame mais conhecido é o JLPT, Japanese-Language Proficiency Test. O JLPT tem cinco níveis: N5 é o nível mais básico e N1 é o mais avançado.
Embora os requisitos variem muito entre universidades, cursos em japonês costumam exigir um nível elevado, muitas vezes N2 ou N1, sobretudo em licenciaturas competitivas ou cursos com forte componente académica em japonês.
Além do JLPT, alguns processos de candidatura no Japão podem envolver o EJU, Examination for Japanese University Admission for International Students, que avalia conhecimentos necessários para entrada no ensino superior japonês. O aluno deve verificar cuidadosamente se a universidade exige apenas proficiência linguística, EJU, exames próprios ou uma combinação destes elementos.
China
Para estudar em chinês, o exame mais conhecido é o HSK, Hanyu Shuiping Kaoshi. É o exame de proficiência em língua chinesa para falantes não nativos.
A entidade oficial Chinese Test indica que os resultados HSK são usados como requisito para admissão, graduação e bolsas em instituições chinesas.
Os níveis exigidos dependem do curso e da universidade. Em cursos lecionados em chinês, é comum encontrar requisitos como HSK 4, HSK 5 ou HSK 6, sendo os níveis mais elevados associados a cursos mais exigentes ou a universidades mais competitivas.
Coreia do Sul
Para cursos lecionados em coreano, o exame mais relevante é o TOPIK, Test of Proficiency in Korean.
O National Institute for International Education indica que os resultados TOPIK são usados como critério de admissão e graduação em universidades coreanas, além de serem utilizados em bolsas, vistos e processos profissionais.
Na prática, muitos cursos em coreano exigem níveis intermédios ou avançados de TOPIK. Para cursos mais exigentes, pode ser necessário TOPIK 4, 5 ou 6, mas a regra varia de universidade para universidade.
A escolha do exame não deve começar pelo exame. Deve começar pelo curso.
O aluno deve primeiro responder a estas perguntas:
Esta análise é essencial porque dois cursos no mesmo país podem ter requisitos completamente diferentes. Um curso de Gestão em inglês nos Países Baixos pode pedir IELTS ou TOEFL; um curso de Direito em neerlandês pode pedir prova de neerlandês. Uma licenciatura em Engenharia na Alemanha pode ser em inglês numa universidade e em alemão noutra. Um curso de Medicina em Espanha pode exigir espanhol muito sólido, mesmo que o aluno tenha boas notas em Portugal.
A preparação deve começar cedo, idealmente ainda no 10.º ou 11.º ano, se o objetivo for uma licenciatura no estrangeiro em língua nativa. Para mestrados, deve começar pelo menos um ano antes da candidatura.
Isto é especialmente importante quando o aluno precisa de atingir B2 ou C1 numa língua que ainda não domina. Subir de A2 para B2, ou de B1 para C1, pode exigir vários meses ou até anos de estudo consistente.
Também é preciso ter em conta que os exames oficiais não estão disponíveis todos os dias. Muitos têm datas fixas, prazos de inscrição e períodos de espera pelos resultados. Deixar o exame para o último momento pode comprometer a candidatura.
Um erro comum é pensar que "saber falar um pouco" a língua é suficiente. A universidade exige capacidade académica: ler textos complexos, escrever ensaios, compreender aulas longas e responder em contexto formal.
Outro erro é escolher o país sem verificar a língua real do curso. Há alunos que encontram uma universidade interessante, mas só mais tarde percebem que o curso pretendido é lecionado na língua local.
Também é frequente escolher o exame errado. Por exemplo, preparar um certificado genérico quando a universidade pede um teste específico, ou fazer um exame com validade limitada demasiado cedo.
Por fim, muitos estudantes subestimam a importância da componente escrita. Em contexto universitário, escrever bem na língua local é tão importante como falar.
Na Da Vinci, através do serviço Lá Fora e da Da Vinci Language School, ajudamos alunos e famílias a perceber quais são os requisitos linguísticos para estudar no estrangeiro.
Analisamos o país, a universidade, o curso, a língua de ensino e os exames aceites. A partir daí, ajudamos a definir uma estratégia realista: que certificado é necessário, qual o nível exigido, quanto tempo poderá ser preciso para preparar o aluno e que prazos devem ser cumpridos.
Também apoiamos o aluno na organização do percurso de preparação linguística, seja para inglês, francês, espanhol, alemão, italiano ou outras línguas, de acordo com o objetivo académico.
Estudar no estrangeiro numa língua nativa pode ser uma experiência muito enriquecedora, mas exige preparação séria. A língua não deve ser vista como um detalhe burocrático. Deve ser vista como uma condição essencial para o sucesso académico e pessoal.
Se estás a pensar estudar fora, fala connosco. Ajudamos-te a perceber que língua precisas de dominar, que exame deves fazer e como podes preparar uma candidatura mais forte e bem orientada.
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