O que está em causa
O debate sobre a presença dos telemóveis no ambiente escolar português continua a ganhar corpo, um ano depois da entrada do tema na agenda política nacional. Catarina Prado e Castro, bióloga e professora do ensino superior, é uma das vozes mais ativas nesta discussão. Co-fundadora do movimento Menos Écrãs, Mais Vida, criado em 2024, Prado e Castro tem vindo a alertar para os efeitos negativos da exposição excessiva aos ecrãs, especialmente entre crianças e adolescentes.
Para a especialista, o telemóvel nas escolas não deve ser tratado como mero acessório tecnológico, mas como um elemento que pode influenciar de forma profunda o ambiente educativo, as relações sociais e a saúde mental dos alunos. A sua metáfora é clara: "As crianças não podem andar com casinos no bolso", uma alusão direta à natureza viciante e potencialmente prejudicial dos dispositivos móveis.
O balanço do ano letivo 2025/26
Desde a implementação de medidas mais rigorosas no controlo do uso de telemóveis nas escolas, diversas instituições educativas portuguesas têm reportado alterações significativas. A retirada do dispositivo durante o horário letivo, conforme as recomendações do movimento e a legislação em vigor, tem contribuído para uma maior concentração dos alunos e uma diminuição dos conflitos relacionados com o uso abusivo das tecnologias.
Catarina Prado e Castro destaca que, apesar do progresso, o desafio centra-se numa mudança cultural mais ampla, que deve envolver não só os alunos mas também famílias e professores. "É fundamental promover uma educação digital responsável, que ensine os jovens a gerir o seu tempo e a relação com a tecnologia", afirma.
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Por que é importante agir agora
O impacto dos telemóveis na educação vai além do simples uso durante as aulas. Estudos recentes indicam que o uso excessivo destes dispositivos está associado a problemas como ansiedade, diminuição da capacidade de atenção e até queda no desempenho escolar. Em Portugal, o movimento Menos Écrãs, Mais Vida tem enfatizado que a escola deve ser um espaço protegido, onde os alunos possam desenvolver competências sociais e cognitivas sem o interferir constante dos ecrãs.
Esta abordagem está alinhada com tendências internacionais que colocam a regulação do uso de tecnologias digitais no centro das políticas educativas, visando uma convivência equilibrada entre o digital e o presencial.
O que falta fazer
Para além da proibição do telemóvel durante as aulas, Catarina Prado e Castro defende a necessidade de implementar programas educativos que sensibilizem para os riscos da dependência tecnológica e promovam hábitos saudáveis. Entre as propostas do movimento estão:
- Formação contínua para professores sobre o uso pedagógico consciente da tecnologia;
- Workshops para pais e encarregados de educação, de modo a criar uma rede de suporte consistente;
- Incorporar atividades que estimulem o contacto direto, o pensamento crítico e a criatividade, reduzindo a atração pelo uso passivo do telemóvel;
- Monitorização e avaliação regular do impacto das medidas adotadas nas escolas.
O compromisso com esta agenda é visto como essencial para garantir que a geração atual de alunos possa usufruir dos benefícios da tecnologia, minimizando os riscos que ela pode trazer.
O futuro da educação digital em Portugal
À medida que o novo ano letivo 2026/27 se aproxima, o debate sobre os telemóveis nas escolas reforça-se como uma prioridade para educadores, famílias e decisores políticos. O exemplo do movimento Menos Écrãs, Mais Vida mostra que a mudança é possível, mas que exige esforço coletivo e contínuo.
Segundo Prado e Castro, o objetivo não é demonizar a tecnologia, mas sim criar um ambiente escolar onde o telemóvel seja uma ferramenta que serve o processo educativo, e não uma distração ou fonte de dependência. "Temos de ensinar os jovens a usar o telemóvel com responsabilidade, para que a escola continue a ser um espaço de crescimento e aprendizagem saudável", conclui.
Em suma, a reflexão que emerge é clara: para garantir um futuro educativo sólido em Portugal, é indispensável repensar o lugar dos telemóveis na escola, promovendo uma cultura de equilíbrio e bem-estar digital.